A trajetória de Heloísa Rosa

"Meu ministério começou sendo semeado por meus pais em minha infância, dizendo que eu serviria ao Senhor, trazendo palavras de afirmação sobre mim nesse sentido", disse

Mesmo dando uma pausa na carreira para cuidar da filha Anne, a cantora, compositora, produtora musical, multi-instrumentista e arranjadora Heloisa Rosa segue colhendo os louros de seu ministério.

E não é por acaso, já que é dotada de talento nas diversas funções que exerce quando o assunto é a música. Casada há 10 anos com Marcos Grubert, com quem tem dois filhos – Joshua, de 4 anos, e Anne, com 4 meses – ela já lançou seis discos, sendo que o mais atual é “Paz”, de 2015.

Heloísa bateu um papo com a revista Comunhão. Confira a entrevista!

Como foi o início do seu ministério?
Meu ministério começou sendo semeado por meus pais em minha infância, dizendo que eu serviria ao Senhor, trazendo palavras de afirmação sobre mim nesse sentido. E realmente cresceu um desejo muito grande no meu coração de servir a Deus. A palavra ministério significa servir, significa trabalho, é um serviço prestado a Deus em primeiro lugar e em segundo às pessoas. E esse é o ponto principal para alguém estar realmente em um ministério, é desejar a vocação, desejar servir. O início foi cheio de desafios, mas uma coisa boa que posso dizer sobre nesse período é a paixão que temos por Deus, por sua obra, pelas pessoas. O desafio de todo ministério é continuar mantendo o fogo aceso, a paixão de querer fazer a vontade de Deus acima de tudo, esse é o meu maior desafio até hoje. O começo foi difícil porque é muito complicado quando você não é conhecido, as pessoas têm uma tendência a menosprezar esse início, não te dão muito valor. Lembro-me de passar muitas dificuldades por não ter um suporte e até mesmo condições para levar equipamentos na estrada e contar com bons músicos na época, isso foi há 15 anos. O Brasil também era outro. Hoje a compra de equipamentos está muito mais acessível, houve uma multiplicação de músicos muito grande e isso com certeza facilita as coisas.

Quais são as suas influências musicais?
Desde minha infância até hoje sempre fui influenciada por músicas americanas e inglesas, o rock inglês, o rock americano. Houve algumas variações de artistas no meio de tudo isso, mas o pano de fundo sempre foi esse. É o resumo de todo o meu gosto e que sempre me influenciou. Escuto muito músicas de adoração, como Bethel Music, tenho escutado uma cantora chamada Hillary Scott, também ouço Jason Upton e uma banda que gosto muito chamada Red. O fundamento de tudo é o estilo rock cristão, pop-rock e adoração, esse sempre foi o meu estilo.

O que é louvor e adoração para você?
A definição de louvor e adoração é extensa, mas para resumir, quando nós lemos a Palavra podemos ver que o louvor é uma atitude de gratidão a Deus por tudo o que Ele fez. Através dele agradecemos por tudo, pela terra, pelo solo, pelo alimento, louvamos a Deus pela família. Já a adoração é algo mais profundo, é mais interno no sentido de você não poder mensurar simplesmente olhando uma pessoa, é algo muito espiritual e muito íntimo. Adoramos a Deus por conhecê-Lo e não necessariamente por aquilo que Ele faz, mais sim pelo o que Ele é. Então por isso é muito importante a questão de adorar, não ser apenas cantor de louvor, mas realmente levar o povo a ter uma intimidade com Deus, se relacionar com Ele e viver nesse ambiente de adoração.

Nos últimos anos, tem crescido muito o mercado de música cristã no Brasil. O que você acha desse momento?
Acho que a música cristã, de 10 a 15 anos para cá, cresceu muito. E penso que quando procuramos expandir é algo maravilhoso. Todo crescimento traz suas demandas e você pode lidar com isso de uma forma correta ou de uma forma errada. Então é importante ter a Palavra de Deus como um norte para não se perder no meio do mercado. Precisamos ter um coração que quer agradar a Deus acima de tudo, mesmo quando se trata com dinheiro, pessoas e logísticas. Acho que os músicos do Brasil, contratantes e gravadoras precisam ter como crivo a Palavra de Deus, para que não ocorram distorções e a verdadeira mensagem do Reino possa ser divulgada.

É perceptível que as suas músicas são bastante expressivas. Elas são compostas de acordo com as experiências que você está vivendo?
A maioria das canções que tenho, para não dizer 100%, vem de alguma experiência que estou vivendo ou que vivi. Gosto muito de colocar a verdade nas canções, isso traz uma identidade, afasta comparações, acho que o músico ganha muito quando é ele mesmo, sem tentar agradar a todos, pois nem todo mundo vai gostar da gente, as pessoas não são obrigadas a gostar da minha arte, porque eu não faço minha arte pensando em agradar todo mundo. Acho que nós, como músicos brasileiros, temos que nos preocupar com isso, em sermos autênticos, verdadeiros. Minhas músicas são bem assim, são bem a minha cara, meu jeito, minha forma, expressando meus dilemas, minhas felicidades e outras vezes tristezas, através da arte de uma forma metafórica, mas trazendo sempre um conceito cristão e respostas do Evangelho.

Como é a sua preparação para compor uma canção? O que você acha mais importante no momento de composição?
Para eu compor uma canção, geralmente recorro a melodias de gaveta. Tenho várias guardadas e as chamo de embrionárias (risos). A partir delas que minhas músicas são compostas. Eu procuro sempre relacionar minha vida com a Palavra de Deus, para que daí nasça uma letra adequada. Tento fazer a melodia mais cativante possível, acho que se pudermos unir a melodia e o ritmo a uma letra embasada com a verdade, a arte fica com um tempero bom.

Deixar ministérios tão consolidados e iniciar carreira solo foi difícil?
Em cada etapa da minha vida tive que deixar algum ministério que participei. Comecei com o “Clamor Pelas Nações”, depois fiz parte da equipe do pastor Antônio Cirilo, onde fui membro da igreja dele durante oito anos. Após essa experiência, fui backing vocal do David Quinlan, acompanhei vários ministérios, mas depois tive realmente que prosseguir. Deus foi desenhando em minha mente e em meu coração aquilo que ele queria para minha vida, muitas vezes eu falava ‘não, Deus, eu gostaria de continuar sendo backing vocal, está tudo bem, não tenho outras aspirações’. Mas o Senhor tem um caminho para cada um de nós, por mais que a gente não queria ou não sonhe, Ele sempre tem seus próprios sonhos e caminhos. Ele mesmo foi me guiando, conduzindo, tomando-me pela mão, para que eu trilhasse esse caminho sólido. Então em tudo eu sempre dependo dEle, porque sei que foi Ele que começou essa grande história. No início foi muito complicado, mas vejo muitos frutos hoje.

Por que resolveu dar uma pausa?
Eu resolvi dar essa pausa primeiramente por causa da gravidez. Eu ouvi o Senhor dizendo que me daria uma menina, eu não sabia quando e não estava programado, mas em janeiro de 2016 eu descobri que estava grávida e fiquei muito feliz, realmente a Anne é um presente na nossa vida. Com meu primeiro filho, Joshua, não consegui fazer uma pausa. Com 45 dias já estava na estrada novamente, e eu não quis parar de amamentar, então o levei em todas as viagens. Tadinho, o estressei bastante (risos). Já com a Anne, eu pensei ‘meu Deus, não posso fazer mais isso’. E acabei tirando esse tempo. Nós nos mudamos para os Estados Unidos em abril de 2016, pois meu marido é cidadão americano e o Joshua também, e por conta de documentações, tivemos que obrigatoriamente sair do Brasil. Então, tudo coincidiu para essa pausa. E tem sido bom para mim e para minha família. É um tempo de reavaliar valores e redirecionar motivações do coração para voltar com gás total. Tem sido um tempo maravilhoso para curtir meus filhos, meu marido e entender que realmente Deus nos ama e o que nós somos é mais importante para Ele do que aquilo que fazemos.

Qual seu trabalho mais atual e quais seus próximos projetos?
Meu último trabalho é o álbum chamado “Paz”, lançado em 2015 com selo Musile Records. Lembro-me de ter muita expectativa, o coração pulsando para terminá-lo, foi um CD muito esperado. Fizemos uma roupagem nova, trazendo uma musicalidade moderna, conseguimos configurar equipe, produção, fazer a mixagem e masterização dele em Nashville (EUA). Considero um dos meus melhores trabalhos. Espero que as pessoas tenham gostado do “Paz”, pois foi um álbum gerado em Deus, que apresenta uma mensagem muito importante sobre o Reino. Nesse ano de 2017 eu começo a retomar a agenda. Já tenho inclusive atendido a alguns compromissos aqui nos Estados Unidos. Pretendo fazer um novo single, e no momento estou planejando com alguns produtores, estudando como vamos conduzir o ministério daqui para frente. Tem muita coisa boa vindo por aí, aguardem.

Discografia
Liberta-me – 2004
Andando na Luz – 2006
Estante da Vida – 2008
Confiança – 2011
Heloisa Rosa – Ao Vivo em São Paulo – 2014
Paz – 2015

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