A fraqueza do não querer

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Esta semana estreou mais uma novela da Globo – A Força do Querer. É mais uma novela da Glória Perez, autora de várias outras novelas polêmicas, com objetivo claro de questionar o modelo atual de sociedade ou quem sabe; antecipando-se em nos mostrar ao vivo e em cores como será nossa sociedade daqui a algum tempo. Como informa o título, a trama base da novela é o “querer” de cada um e como essa vontade pessoal afeta e interfere na vida dos outros.

Seria mais uma “istória” se a Glória não permeasse a trama com questões que insistem em destruir os valores básicos de toda a sociedade. Me importa saber se os valores que a Glória questiona são certos ou errados, bons ou maus, positivos ou negativos, já que eles mudarão os valores atuais. A questão é que os “quereres” dela sempre se sobrepõe aos “quereres” de toda uma sociedade, de forma que no final da trama, todos que pensam diferente serão taxados de homofóbicos, intransigentes, fundamentalistas, descontextualizados, etc.

A nossa mente terceiro-mundista já está impregnada da ideia de que, quem gosta de coisa velha é museu, logo, para que novos valores sejam implantados é preciso que os valores antigos sejam destruídos ou aniquilados, por isso, ninguém faz toda essa revolução nos conceitos sem destruir os pilares que atualmente sustentam a sociedade. Nos próximos 6 meses, vamos lentamente sendo doutrinados de que temos que mudar todo nosso padrão e construir algo novo, não importa se é uma casa, uma avenida ou mesmo um padrão ético ou moral. O que importa é o novo que eu “quero”.

Qual é o risco? O risco é exatamente em acreditarmos que o meu novo “querer” é a nova verdade para toda a humanidade. Isso se encaixa no conceito da pós-verdade. Ou seja, uma mentira anunciada de forma diferente, torna-se em uma verdade, nem que seja por alguns segundos, antes que uma nova mentira, torne-se em verdade, que será assim sucessivamente sendo substituída, retirando da sociedade todo e qualquer senso de avaliação, pois os marcos antigos, foram todos removidos. Não há mais absolutos.

Fiquem tranquilos, não vou assistir a novela, não por causa da quebra dos paradigmas sociais que vivemos, não por causa da inversão de valores que tentarão inculcar em minha cabeça, nem pelo mau gosto dos pobres atores em fingir algo que não são, mas porque concordo com Tiago que disse que nós fomos gerados segundo o “querer” do próprio Deus (Tg 1:18). Por isso não tenho dúvidas nenhuma que é a boa vontade de “Deus quem efetua em nós tanto o querer como o realizar” (Fl 2:13). E a razão é muito simples (mas a Glória não sabe), que “a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5:17).

Obrigado Glória por me mostrar quão importante é a fraqueza do não-querer!

Pr José Ernesto Conti

 

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