Finanças: Na medida certa para a saúde do lar

A questão financeira sempre foi um ponto melindroso para muitas famílias, mas o equilíbrio nessa área é alcançado à luz da Palavra de Deus “Dinheiro não é problema, é solução”.

Em rodas de amigos, até mesmo cristãos, é comum ouvir tal ditado. O assunto “dinheiro” está na boca dos colegas de escola que estão para escolher uma profissão, está no protesto dos trabalhadores grevistas  e nas estatísticas dos economistas da TV. Na atual sociedade ocidental, tão envolvida com desejos consumistas, o mundo parece girar em volta do dinheiro.

Trabalha-se cada vez mais, para se ganhar mais e consumir mais. E, claro, para consumir mais, é preciso ganhar mais e, consequentemente, trabalhar mais. O ciclo, que parece não ter fim, conduz a vida de muitas pessoas, até mesmo algumas que já entregaram seu caminho ao Senhor.

A falta de entendimento com relação ao que Deus tem a dizer sobre o dinheiro tem levado famílias inteiras à ruína. A má administração orçamentária, com gastos exagerados, desperdícios ou avareza, causa diversos prejuízos aos lares, segundo o pastor Ivonildo Teixeira.

Há 27 anos ministrando palestras sobre finanças e autor de 34 livros sobre o assunto, o pastor, que também é fundador da Igreja do Nazareno, em Vila Velha, afirma que tanto a falta como o excesso de dinheiro, se mal administrados, estão entre as causas mais frequentes de separação de casais.  E ele não está sozinho em sua tese.Uma pesquisa feita em 2010 pelo Instituto Gallup, nos Estados Unidos, com 1.500 casais recém-divorciados, mostrou que para 40% deles o dinheiro foi o principal motivo das brigas que levaram à separação.

Aqui no Brasil, a realidade não é diferente. A H2R, consultoria de pesquisa em atendimento dos consumidores, entrevistou 150 pessoas na cidade de São Paulo, com idades entre 18 e 45 anos. O estudo, feito em 2004, revelou que 38% dos casais brigavam por causa de dinheiro. De acordo com Rubens Hannun, autor da pesquisa, mesmo depois de oito anos, o “vil metal” continua sendo um dos maiores problemas para quem divide o mesmo teto.

Até que as dívidas nos separem…

Para os pesquisadores, assim como para o pastor Ivonildo, o endividamento pesa, e bastante, na estabilidade matrimonial. “Descobri três grandes erros que normalmente são cometidos pelo casal. Primeiro: o responsável esconde os estragos financeiros que fez. Quando o ‘inocente’ descobre o rombo, o lar vira um inferno. Segundo: tenta-se arranjar o ‘verdadeiro culpado’.

As acusações passam a ser as armas usadas como defesa, como: ‘A culpa é sua!’. Terceiro: em um casamento cheio de dívidas, falta de dinheiro, cobradores à porta, o mais provável é acontecer a separação. Isso quando não acontece uma tragédia”, disse o pastor.

Para ele, hoje, o voto de casamento está sendo mudado. “Antes era: ‘Até que a morte nos separe’. Mas hoje é: ‘Até que as dívidas nos separem’. Uma senhora de 45 anos, casada, disse-me uma vez que o casal pode se amar muito, mas se o dinheiro faltar, fatalmente a estrutura do lar balançará. A única maneira de evitar que o divórcio aconteça é através da compreensão. Nessas situações, é preciso tomar novos rumos, reparar os erros, e os cônjuges se confessarem um ao outro. Além disso, não esquecer de dizer palavras que mais parecem pérolas, mas que ressuscitam qualquer casamento: ‘Errei’; ‘Perdoe-me’; ‘Eu amo você’”, enfatizou o pastor.

O casal Wilken e Cláudia Meirelles sabe bem o que é isso. Eles enfrentaram, após três anos de casamento, o início de uma crise por conta da questão financeira. Hoje, já superada a situação, Cláudia ensina a outros casais o que o desequilíbrio financeiro pode gerar dentro de um lar: “Mentiras, desconfiança entre cônjuges, filhos criados numa realidade financeira falsa, brigas, divórcios e toda sorte de males”, destaca.

Se fores fiel…

Há anos palestrando em centenas de igrejas, o pastor Ivonildo chegou a uma triste conclusão: menos da metade dos cristãos são dizimistas. “Apenas 30% dos cristãos são dizimistas. Quando se trata de oferta, o estrago é muito maior do que se possa imaginar.

A Bíblia diz que aqueles que, por qualquer motivo, deixam de ser fiéis a Deus nos dízimos e nas ofertas tornam-se candidatos a receber ‘visitas indigestas’. Uma delas é abrir a porta do lar e dar legalidade ao devorador para entrar e trazer os seus comparsas, não só para tirar a saúde financeira do lar, mas, até mesmo, levar a família a um final infeliz. As passagens de Dt 28:15-68, Jl 2:25, Is 1:19 e Ml 3:8,9,11 mostram bem isso”, sublinhou o pastor.

Fidelidade é um dos princípios também apresentados pelo Ministério Crown – ligado à Universidade da Família – que, através de ministrações em pequenos grupos, proporciona o estudo de princípios contidos na Bíblia como honestidade, contentamento, confiança em Deus, fidelidade e caridade, entre outros.

O objetivo é de,  quando incorporados ao dia a dia e praticados com compromisso, levar as pessoas a utilizar o dinheiro de forma equilibrada e saudável. De acordo com Débora de Souza – ela e o marido, Arnaldo Machado, são os responsáveis pelo Ministério Crown no Estado –, o curso que ministram “parte do entendimento de que Deus é o dono de todas as coisas e que nós somos apenas seus mordomos. E como mordomos, deveremos lidar com o que é dEle da maneira que Ele quer. Um dia prestaremos contas a Ele dessa administração”.

O curso não é só para adultos, explica Débora. Há também pequenos grupos para jovens, crianças e adolescentes, para ensinar-lhes a serem tementes a Deus e mais generosos, num mundo cada vez mais consumista. “No Crown, a criança aprende a dar, poupar e depois gastar. Ela vê a vida financeira como uma forma de agradar a Deus”.

Planejamento também é uma palavra-chave para quem quer sair das dívidas ou nem sequer passar por elas. “Jesus, o maior consultor financeiro da terra, nos orienta, antes de qualquer questão, que sentemos à mesa e tomemos papel e caneta a fim de elaborar um bom planejamento para a família”, ressalta o pastor Ivonildo. Para ele, o exemplo de José, que foi governador do Egito numa época de fartura e depois de escassez (Gn 37 – 47), tem muito a ensinar à sociedade de hoje, principalmente sobre planejamento.

Nem pobreza, nem riqueza

“Dá-me alimento suficiente para viver – nem muito nem pouco. Se tiver muito, posso pensar que dependo só de mim e dizer:‘Quem precisa de Deus?’. Se tiver pouco, posso vir a roubar e assim desonrar o nome do meu Deus” – Pv 30:8-9.

O equilíbrio financeiro ensinado na Bíblia, principalmente no livro de Provérbios, desmonta qualquer falsa teoria de prosperidade ou fixação por votos de pobreza. Ter uma vida equilibrada, principalmente nessa área, é o ideal, segundo a Palavra de Deus, para se ter um lar em harmonia.

Submeter toda e qualquer decisão ao Senhor e habituar-se a viver o “é melhor dar do que receber” pode operar verdadeiros milagres. Como tem experimentado a família Brito, de Cariacica. O casal e os dois filhos aprenderam o que é viver na dependência de Deus, principalmente na área de finanças. “Quando realmente o Senhor for introduzido em nossa vida financeira, aí sim não haverá mais brigas e frustrações. Pelo contrário, haverá equilíbrio e paz em cada lar. Acredito que o grande lance é aprender a contentar-se com o que se tem, como ensinou o apóstolo Paulo”, disse a  missionária Eliane Brito, que congrega na Primeira Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Campo Grande, em Cariacica.

E é, de fato, do apóstolo Paulo que vem o exemplo para se ter um coração grato, mesmo em tempos de crise: “Já aprendi a estar contente, a despeito das circunstâncias. Fico satisfeito com muito ou com pouco. Encontrei a receita para estar alegre, com fome ou alimentado, com as mãos cheias ou com as mãos vazias.  Onde eu estiver e com o que tiver, posso fazer qualquer coisa por meio daquele que faz de mim o que sou” (Fp 4: 10-14).

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.