Filme mostrará perseguição religiosa no Japão medieval

O filme “Silêncio”, dirigido pelo premiado cineasta Martin Scorcese, estreará no Brasil em janeiro de 2017 contando a história de dois jovens missionários que vão ao Japão à procura de um missionário que abandonou a fé depois de anos de tortura.
O roteiro do longa-metragem é baseado no livro homônimo de autoria de Shusaku Endo (1937-1997), um escritor japonês católico. No romance, ambientado no Japão dos séculos XVI e XVII, os personagens narram o choque cultural entre o pragmatismo materialista dos japoneses e a visão espiritual dos jesuítas espanhóis e portugueses.
A ideia de filmar essa história surgiu em 2004, quando o cineasta, também de formação católica, se propôs a contar a realidade através da ficção apresentada no livro.

Martin Scorcese anunciou que os personagens principais serão vividos por atores conhecidos do público, como Liam Neeson (“Busca Implacável”), Adam Driver (“Star Wars – O Despertar da Força”) e Andrew Garfield (“O Espetacular Homem Aranha”).
Com as liberdades poéticas garantidas à literatura e ao cinema, “Silêncio” mostra, através da ficção, um período histórico marcado pela dura perseguição religiosa aos cristãos. “Missionários católicos chegaram ao Japão em 1549 e embora, em um princípio, a fé cristã parecesse não tocar a comunidade nipônica, finalmente se estabeleceu no país. Em 1600, já havia 95 jesuítas estrangeiros no país (57 portugueses, 20 espanhóis, 18 italianos) e ao menos 70 jesuítas nativos do Japão”.
Esse princípio de sucesso provocou, em 1614, o início de uma forte perseguição contra os cristãos e a proibição aos padres de continuarem a pregação do Evangelho. Desse momento em diante, o cristianismo entrou na clandestinidade e, segundo os historiadores, pelo menos 18 jesuítas, sete franciscanos, sete dominicanos, um agostiniano, cinco sacerdotes seculares e um número desconhecido de jesuítas nativos foram descobertos e executados.
Para contar a difícil história do cristianismo no Japão, Martin Scorcese enfrentou sérias dificuldades no set de filmagem. Durante as 14 semanas de trabalho, uma locação em Taiwan teve um desabamento do teto, o que resultou na morte de um dos funcionários e ferimentos a outros três.