Filhos: eles aprendem com os exemplos dos pais

Os filhos observam e imitam as ações de seus pais. Foto: Reprodução

O que pais mais desejam é criar filhos saudáveis e bem-sucedidos. Mas como conseguir isso se o filho nota que seus pais se descontrolam, brigam, contam “pequenas” mentiras, não mostram amor o próximo, falam da vida alheia, entre outros maus exemplos?

Exemplo dos pais – Muitos se esquecem de que estão diante de uma pequenina plateia, atenta a cada movimento, e que seus olhares são os de futuros adultos, que utilizarão estes exemplos para inspirar atitudes e condutas diante da vida. Então, que instrução os pais realmente estão passando aos filhos?

Criar filhos não é nada fácil, principalmente em um mundo onde todas as informações, sobre todos os assuntos, estão disponíveis para o conhecimento de qualquer pessoa nos meios de comunicação. Onde o tempo que deveria ser gasto com o ensinamento aos filhos é substituído por horas em frente à televisão ou internet, ou até mesmo pelos compromissos profissionais e afazeres domésticos.

Em I Coríntios 11.1, Paulo diz à igreja: “Tornem-se meus imitadores, como eu sou de Cristo”. A Palavra foi dirigida à igreja do Senhor, mas poderia ser aplicada dentro do lar, para pais e filhos. Paulo quis dizer que ele era exemplo de uma pessoa que obedecia a Deus e orientou a igreja a que o seguisse. Mas será que os pais estão sendo exemplo para os filhos, mantendo a coerência e evitando o “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”?

Quando Deus instituiu a família, como mostra Gênesis 1 e 2, Ele disse que não é bom que o homem esteja só, ou seja, suas necessidades devem ser supridas no contexto familiar. Portanto, a família é uma instituição idealizada por Deus para fornecer ao homem e à mulher amor incondicional, desejando que ela fosse um “laboratório” dos filhos para a vida e que os criasse “na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 1.4). É aos pais que é dada a grande responsabilidade: “Ensina a criança no caminho em que deve andar. E, ainda quando for velho, não se desviará dele”, exorta Provérbios 22.6.

Uma orientação clara, que, segundo o pastor José Lima, da Primeira Igreja Presbiteriana em Vila Velha (ES), constitui-se em um conselho precioso. “É imperioso que os pais se voltem o mais depressa possível para os ensinamentos que a Bíblia contém sobre a família”, afirma ele.

O pastor destaca que os pais devem acompanhar o crescimento dos filhos. “Recordemos o que aconteceu com Ana, mãe de Samuel, quando, no seu pedido ao Senhor, dedicou seu filho aos cuidados do Todo-Poderoso, certa de que, enquanto ele vivesse, pertenceria ao Senhor (I Samuel 1.26-28). Além de cumprir o voto de entregar o menino para o sacerdote, Ana acompanhava o crescimento do rapaz, mesmo à distância, indo anualmente visitá-lo (2.19)”.

Lima explica que os filhos são herança do Senhor, sendo preciso coerência quando os pais seguem o que ensina Aquele que é “o caminho, a verdade e a vida”, e a orientação para os filhos é: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem e sejas de longa vida sobre a terra” (Efésios 6). E ainda: “Estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos; e delas falarás…” (Deuteronômio 6:6,7). A citação revela que os pais devem dar testemunho cristão em todos os momentos da vida, além de conduzir e orientar os pequeninos a seguir os estatutos do Senhor.

Os pais devem conduzir-se com muita sabedoria, fé e confiança no Senhor, porque os dias são maus. “A vida espiritual da avó e da mãe de Timóteo fez com que o apóstolo reconhecesse a educação inabalável em Deus. ‘Pela recordação que guardo de tua fé, sem fingimento, a mesma que primeiramente habitou em tua avó, Lóide, e em tua mãe, Eunice, e estou certo de que também em ti'”, citou o pastor José Lima.

Filhos não vêm com manual de instruções


Seria muito mais fácil se os filhos viessem com um “manual de instruções”, com indicações claras de como proceder diante de manhas, manipulação, egoísmo e birras sem perder a cabeça. Mas tal coisa não existe. Cada criança é única e sua educação é consolidada de acordo com a junção das histórias de seus pais. A família é o ambiente estrutural da criança.

De acordo com a advogada Débora Cunha, especializada em aconselhamento cristão, a construção de uma educação sadia começa nos primeiros anos da vida do indivíduo, de zero aos sete anos. “É neste período que a criança recebe os conceitos sobre a vida. Se elas passam bem pela experiência, terão capacidade de conduzir e entender melhor os questionamentos que surgirão no período da adolescência. Explico: se os conceitos da infância forem coerentes, logo elas passarão pela adolescência de maneira segura e saudável e daí por diante”.

Débora destaca que a criança tem muito mais a aprender num relacionamento afetivo do que num lar destruído. Acentua que as crianças são reflexo do lar em que vivem e aprendem o que vivenciam. “Se elas são influenciadas a ter uma postura depreciativa, logo crescerão com uma postura autodepreciativa. Se dentro do lar existem o amor, a união e o afeto, as crianças crescerão de maneira saudável e desprendidas de preconceitos”.

Para Débora, a sociedade tem que buscar valores perdidos e os pais devem abençoar os filhos. “As palavras de bênção edificam os filhos e ajudam a construir um futuro melhor para a criança. Já a palavra mal dita pode acabar com os sonhos. O peso da palavra na cabeça da criança será muito maior se o emissor for alguém diretamente ligado a ela, pai ou mãe”, esclarece.

Num lar em que a presença dos pais seja apenas para pagar contas, onde não há tempo para dedicar aos filhos, as chances de uma criança crescer confusa, carente e erotizada são maiores. “Mas eu acredito que a pessoa ainda pode querer mudar a sua história e ser uma pessoa melhor”, disse Débora.

Ensinando a Palavra com coerência


“Como é feliz o homem que teme ao Senhor e tem prazer em seus mandamentos. A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a sua geração de homens íntegros” (Salmos 112.1-2). A citação mostra a conseqüência feliz de se criar um filho no temor a Deus – uma conduta que deve ser tomada com a coerência baseada na Palavra de Deus.

O casal Lindsay e Monica Del Pupo assinala que a educação com o temor a Deus é um desafio, sendo necessário que as crianças aprendam desde cedo o que mandam os ensinamentos bíblicos. “Crianças devem ser criadas debaixo do mesmo governo. É necessário que a escola, que contribui no processo de educação, e a família vivam debaixo dos mesmos princípios. Então as crianças crescerão tendo o apoio de duas instituições fiéis e que apontam solidamente o caminho que devem seguir, preparando-as para a vida futura”, observou Mônica, mãe de Laura (seis meses) e Nicolas (cinco anos).

Ela aponta ainda a necessidade de se ter uma postura forte e marcante, deixando as desavenças para serem resolvidas separadamente e longe da presença dos filhos. “É preciso exercer autoridade, estabelecer limites, impor regras. Saber a hora de dizer ‘sim’ e saber a hora de dizer ‘não’, tratar seu filho com respeito, ser coerente, prepará-lo para a vida e amá-lo incondicionalmente. O sucesso dos nossos filhos está em nossas mãos. Depende muito mais de nós do que deles”, afirma Mônica.

Ela lamenta que muitas famílias estejam “tocando a vida” numa rotina interminável, “sem sal, nem açúcar”, sem diálogo e sonhos compartilhados. “Não há projetos familiares. Não há desafios individuais. Temos que ajudar os filhos a ter um alvo de vida que leve a Deus, pois não há felicidade nem futuro algum sem um relacionamento pessoal e verdadeiro com Jesus Cristo. Isto também se aplica aos nossos filhos”.

Saber a hora de pedir socorro


Criar filhos em um lar desagradável pode ser prejudicial ao desenvolvimento da criança. Quem alerta é o pastor da Igreja Evangélica Vida, Rogério Penedo Félix. Ele conta que em um relacionamento desgastado, onde pais não respeitam filhos e vice-versa, é preciso pedir ajuda e mudar de tática.

“Um conselho de fora é muito mais eficaz do que permanecer no erro, pois foca aquilo que os pais não conseguem enxergar”. Ele sustenta que pais não devem ter vergonha de pedir orientação e aponta que, para uma criança crescer saudável nos dias de hoje, é preciso saber dar limites, carinho, disciplina, valorização, respeito, conforto, diálogo, compreensão e responsabilidade, além do contato diário com a Bíblia e a oração.

“Se quisermos fazer de nossos filhos homens de Deus, é preciso ensinar-lhes o caminho em que devem andar, ou seja, precisamos estar junto com eles, sendo exemplo no processo de educação. Pais precisam ler a Bíblia, orar diariamente e buscar sabedoria. Essas e outras orientações compartilho com os pais de nossa igreja”, disse.

Rogério esclarece que, como pastor, não trata seus filhos como “filhos de pastor”, mas como crianças. “Procuramos ao máximo não permitir que eles tomem conhecimento de problemas de adultos. Eu e minha esposa, Gláucia, procuramos influenciar os filhos Ismael, de 11 anos, e Juliana, de 5 anos com valores da Palavra de Deus. O aprendizado da criança é muito maior por aquilo que ela vê do que por aquilo de ela ouve”.

O jovem casal Gilson e Kelly dos Santos sabe da importância dos bons exemplos. Os dois nasceram em lares cristãos, cujos exemplos esperam repassar para os filhos Millena, de quatro anos, e Daniel, de um ano. “Criar filhos não é fácil, mas quando deixamos Deus no controle, tudo vai bem melhor. Diante de um bom exemplo se tem um belo resultado. Os pais do Gilson nos inspiram. Eles nunca discutiram na presença dos filhos, são um casal saudável, e isto marcou a vida do meu marido e a nossa”, declara Kelly.

Ela afirma que, enquanto família, faz o possível para que seus filhos conheçam o Deus maravilhoso que foi apresentado a ela e ao marido quando crianças. “Não somos um casal perfeito, mas buscamos orientar os nossos filhos na Palavra de Deus. Temos consciência de que quem educa os filhos são os pais. Tudo deve ser passado pela peneira de Deus, com o temor Dele”, sintetizou.

Exemplo de Jesus menino


Deus poderia apenas deixar Jesus na Terra, mas Ele preferiu dar para o seu Filho uma família. Na Bíblia, são raras as passagens sobre a infância de Jesus. O evangelho de Lucas reporta que seus pais o educavam conforme as tradições da época e o levavam para as festas religiosas (Lucas 2). “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele”.
Em uma festa da Páscoa, Jesus, então com doze anos, resolveu dar preocupação aos pais e ficar em Jerusalém. “Três dias depois o acharam no templo, assentado no meio dos doutores… Logo que os pais o viram, ficaram maravilhados… E desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso”. Jesus obedeceu aos pais mesmo sabendo que era filho de Deus. Certamente os exemplos de seus pais foram essenciais para a sua formação e equilíbrio.

O que pais não devem fazer na frente dos filhos


• Dizer palavras de baixo calão ou usar muita gíria
• Contrariar uma ordem do cônjuge
• Brigar
• Falar mal do cônjuge
• Mentir, caluniar, fofocar
• Carícias exageradas (pois estimula a sexualidade)
• Demonstrar predileção por um dos filhos
• Hábitos perigosos: jogar, beber, navegar na internet sem controle, ver TV em excesso, pornografia etc.

O que os pais devem fazer

• Ensinar os filhos a respeitar o próximo (os mais velhos, os colegas etc.)
• Ensinar a lidar com o dinheiro (poupar, ofertar, dizimar, economizar, gastar com consciência e pesquisar)
• Mostrar que trabalhar é uma benção
• Ensinar a pedir conselhos em todas as áreas: profissional, emocional, financeira, saúde etc.
• Instruir os filhos a terem experiências com Deus por meio de cultos domésticos, devocionais e orações
• Ensinar a perdoar e a pedir perdão
• Demonstrar amor incondicional

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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