O evangelho por traz das grades

Foto: Arquivo pessoal

Há 17 anos um casal de pastores do Espírito Santo prega o Evangelho para detentos nas Unidades Prisionais do ES.

Deixar o conforto de casa para uma tarefa que seria cansativa e arriscada não é fácil. Mas é a vida de muitos missionários. Há 17 anos, a missão de um casal de pastores no Espírito Santo é evangelizar detentos. São 1200 km por mês rodando os presídios do Estado para levar a mensagem da cruz para os detentos.

Os pastores Alana e Cristhian Franco desenvolvem um trabalho sócio-espiritual nas Unidades prisionais capixabas. O primeiro contato é apresentar o evangelho. E depois é feito um trabalho para resgate do relacionamento com Deus da pessoa e ao mesmo tempo, a reintegração social.

“Ao ser convocada para esse ministério abdiquei-me de meu trabalho que fazia há 22 anos para atender ao chamado de Deus. Fiz cursos, aconselhamento cristão e Teologia para me capacitar para esse trabalho. Nós dedicamos 100% a obra missionária no sistema penitenciário pois fomos chamados para esse honroso trabalho”, destaca Alana.

Recentemente, eles ministraram o programa Viagem do prisioneiro, que já capacitou mais de 30 internos. O curso é desenvolvido pela Prison Fellowship International. Uma organização consultora da ONU para questões penitenciárias que está presente em 129 países. Através do programa, o preso é levado a conhecer a Jesus e descobrir a importância de seguí-lo.

Os pastores são cadastrados na Secretaria de Justiça do ES (SEJUS) como voluntários religiosos. Fazem tudo sem ajuda de ninguém. São vinculados a Igreja Assembleia de Deus, mas o trabalho é interdenominacional. O pastor Cristhian é policial aposentado. E entendeu que o trabalho deve continuar, mas para salvar vidas. Levar uma palavra de consolo e mostrar o caminho da mudança é a tarefa dele e da esposa.

“O que nos move a fazer esse trabalho é o amor. Os presos são carentes. Passam por problemas como nós e também tem sonhos como nós. Quando chegamos para visitá-los os encontramos com desejo de vingança, totalmente descrentes em Deus. O nosso compromisso ali é salvar as almas perdias e mostrar para esses presos que eles podem ser transformados pelo Evangelho de Cristo”, declarou Cristhian.

Através do trabalho do casal, mais de 200 presos foram alcançados com o Evangelho. Foram vários batismos. E 250 casamentos comunitários realizados com a participação da família. Uma verdadeira transformação.

Relatos e mudanças

Para os detentos, mesmo preso, encarcerado, o maior sonho é sentir-se livre. E o relato de muitos é que a liberdade só vem mesmo após um encontro com Deus. O Fernando, 39 anos, está prestes a cumprir sua pena na cadeia após 1 ano e 2 meses preso por homicídio. Mesmo sendo filho de pastor, criado no Evangelho, ele se desviou. Foi para o mundo do crime. E há quatro meses sua vida se transformou ao experimentar a fé.

“Eu me desviei na adolescência e acabei entrando para o mundo do crime. Reconheço meu estado de pecador e hoje sou diferente. Só quero ser um instrumento nas mãos de Deus por que ele me transformou e mostrou que minha vida tem sentido. Servir a Deus e aprender de seus ensinamentos é prazeroso. Hoje estou a disposição do Senhor”, diz.

Preso há 10 anos em um dos presídios do ES, Carlos já viu de tudo. Matou e viu muita gente morrer injustamente, além de presenciar vários suicídios, roubos e assaltos. Convertido ao Evangelho há 9 anos, o presidiário relata mudanças. Diz que é feliz. Tem esperanças. E quer testemunhar o que Deus fez em sua vida.

“Já passei por outros presídios do Estado. Por onde eu vou levo a mensagem do Evangelho. Graças a Deus várias pessoas já se entregaram a Cristo com o meu testemunho, até mesmo a minha mãe. Deus tem planos pra mim e o Espírito Santo me ensina a cada dia a ser melhor”, relata. (Carlos)

E Carlos tem um sonho. Quando sair da cadeia, vai escrever um livro. “Quero publicar um livro sobre a minha vida e o que vivi para que a minha história sirva de exemplo para  outros. Vou contar tudo o que já vi pelo mundo do crime e das experiências e livramentos que tive de Deus”, contou.

Depoimento
Foto: Arquivo pessoal

“Em uma certa ocasião, três detentas mataram uma interna rasgando-a com um caco de vaso sanitário. Eu e uma irmã voluntária fomos até lá mesmo sem saber o que tinha acontecido e ficamos umas duas horas. Nos deparamos com as mulheres tomadas por uma possessão demoníaca. Cada vez mais eu sentia que o Senhor estava me concedendo autoridade espiritual para expulsar aquela casta de demônios.

Os gritos de horror se tornaram em prantos de dor e aquele local que se encontrava escuro e tenebroso, foi tomado por uma áurea inexplicável. Elas começaram a chorar e pedir perdão a Deus pelo crime cometido. Saímos dali cheias da graça de Deus. São coisas que só Deus pode fazer!” (Pastora Alana Franco)

Foto: arquivo pessoal
De prisioneiro a Pastor

Aos 36 anos, o Romulo Gaiba Rebuli vive uma vida que jamais pensou em viver. Até pouco tempo ele se viu destruído pelas drogas e longe da família. Ficou preso por quase três anos.

Conheceu o Evangelho através do trabalho desenvolvido pelo casal de pastores. Se converteu e virou pastor. Hoje, pai de dois filhos, um de quatro e outro de seis anos, Romulo é a prova de que o caminho com Deus ainda é o melhor. Ele se considera feliz e realizado.

“Minha vida mudou completamente após a conversão. Hoje eu sou fiel para a minha família, sou uma pessoa honesta, justa. Eu virava noites em baile funk, usava drogas e hoje isso é passado na minha vida porque Cristo me libertou. Quando Cristo entrou na minha vida a mudança foi completa. Deus me capacitou e fui consagrado ao pastoreio. Fico feliz em levar a Palavra de Deus para os moradores de rua e usuários de drogas. Sou apaixonado por pregar o Evangelho. Minha vida é muito melhor. Sou feliz por servir um Deus que é maravilhoso,” declarou.

Projetos Futuros

Pelo menos três projetos serão implantados em breve nas Unidades Prisionais como o bazar e o curso de corte de cabelo. O outro é a Terapia psicanalítica em parceria com a Associação de Psicanalítica do Estado do Espírito Santo (APEES).

“Nossa intenção é dar oportunidade para que os internos tenham momentos de escutas em relação aos seus conflitos e contradições. Vamos acompanhá-lo, orientando-o para o futuro”, explicou a pastora Alana.


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