Eu Escolhi Esperar: Um ministério, uma campanha, uma ideia

Com 100 mil PESSOAS participando dos encontros e mais de 1 milhão de seguidores pelas redes sociais, o “Eu Escolhi Esperar” tornou-se o maior movimento jovem do Brasil

Desde que o pastor Nelson Pinto Ferreira Neto Junior, ou simplesmente Nelson Junior, idealizou e se tornou um dos coordenadores da mobilização “Eu Escolhi Esperar”, o jovem brasileiro que deseja se guardar, não tendo relações sexuais até o casamento, passou a contar com o suporte de um ministério que fala a sua língua. Natural do Rio de Janeiro, mas capixaba de coração, tendo morado 26 dos seus 36 anos no Espírito Santo, ele é pastor em Vitória e já conta com 20 anos de trabalhos realizados com adolescentes e jovens, ministrando em centenas de igrejas, congressos e acampamentos. Formado em Teologia, é casado com Ângela Teixeira e pai de Ana Carolina e de Milena.

O movimento criado pelo pastor Nelson é um sucesso e tem a adesão de milhares de jovens em todo o país. Em um ano, foram mais de 100 eventos. Com 100 mil jovens participando dos encontros e mais de 1 milhão de seguidores pelas redes sociais, o “Eu Escolhi Esperar” tornou-se a maior mobilização jovem do Brasil. E para 2013, o pastor já anunciou uma turnê por todas as capitais brasileiras, além de cidades nos Estados Unidos.

O que é o “Eu Escolhi Esperar”? E qual é a mensagem que ele deseja levar aos jovens?
O “Eu Escolhi Esperar” é uma campanha voltada à juventude, sobretudo aos solteiros. Temos o objetivo de levar apoio e fortalecer aqueles que fizeram a opção de esperar o casamento para a iniciação de suas vidas sexuais. Outra finalidade é gerar em outros jovens o entendimento e a importância de se guardar para o casamento.

Como teve a ideia de criar esse movimento?
Devo dizer que é a história da minha vida. Com 12 anos, tomei a decisão de esperar o tempo certo e a pessoa certa. E esperar pelo quê, exatamente? Pela vontade e plano de Deus para minha vida, pelo que Ele determinou como sendo o melhor para mim. Abri mão das minhas vontades e prazeres e abraçar a vontade do Pai para mim. Vinte e dois anos depois, agora casado, pai e ministro, recebi um presente de Deus, coordenar uma campanha para fortalecer aqueles que como eu, um dia escolheram esperar a vontade de Deus.

Mas quem pode participar? É uma ação de cunho interdenominacional?
Não se trata de uma campanha religiosa, é um momento em favor do casamento e seus valores. Logo, é uma mobilização para toda família. O que estamos fazendo é o retorno aos princípios que estavam deixados de lado. Qualquer pessoa pode participar, independente da religião. Não somos uma organização religiosa, somos uma campanha que mobiliza pessoas que concordam que essa é uma escolha pessoal, que cabe a cada um tomar ou não. Não é um lugar para pastoreio e fins políticos ou denominacionais, é algo para quem compartilha dos mesmos princípios.

O que os milhares de jovens brasileiros atraídos pela campanha podem esperar?
Existem diversas campanhas que promovem causas nobres. Por exemplo, campanhas: contra o câncer, contra as drogas, racismo e outros temas. Esta, em particular, visa a fortalecer, encorajar, apoiar e dar suporte àqueles que abraçaram a vontade de Deus para suas vidas e decidiram “esperar no Senhor” o tempo certo, a pessoa certa e a forma certa para os relacionamentos. O “Eu Escolhi Esperar” foi idealizado para promover o plano de Deus para os relacionamentos, principalmente entre os solteiros, desconstruindo sofismas e restabelecendo os valores bíblicos para os filhos de Deus.

A nossa primeira intenção com o “Eu Escolhi Esperar” é fortalecer, apoiar, dar suporte aos jovens que já tomaram a decisão de esperar pelo casamento para terem suas experiências sexuais. A segunda é abraçar e dar apoio àqueles que já tiveram suas experiências, porém agora, escolheram se guardar para o casamento também.

Nossa mobilização não é uma campanha para virgens. É para todas as idades: existem pessoas que já fizeram sexo fora do casamento e hoje fizeram a escolha de se guardar para o casamento também. Ter tido experiências antes do casamento não tira o brilho e a importância da escolha que está sendo feita hoje também.

E finalmente, a terceira é trazer uma reflexão sobre o tema, na sociedade, que “virgindade” ou sexo só no casamento virou um tabu. Também queremos que o tema seja tratado dentro das igrejas – sejam católicas e evangélicas – já que em muitos desses lugares o assunto sexualidade também é um grande tabu.

Quais são os tipos de ações que o grupo promove?
Em um primeiro momento, nossas ações estão restritas às redes sociais e ao site (euescolhiesperar.com). Também realizamos seminários nos finais de semana. Nossa agenda está lotada até outubro do ano que vem. Recebemos uma média de 10 convites todos os dias. São aproximadamente 200 por mês, porém nós só temos quatro finais de semana para atender a tantos convites. Estamos preparando material impresso e DVDs para as pessoas estudarem em casa e em pequenos grupos. Enfim, estamos estudando formas de ampliar nossas ações e seguir ajudando as pessoas.

Quase 900 mil pessoas de todo o Brasil já haviam “curtido” o movimento no Facebook até o fechamento desta entrevista. A juventude está reagindo contra os estímulos midiáticos que levam a uma iniciação sexual precoce?
Não esperávamos tanta gente abraçando a campanha, seja através do Twitter ou do Facebook. Foi mesmo uma grande surpresa. Em quatro meses, já havíamos sido notícia em vários canais de notícias e publicações nacionais. Em abril do ano passado, iniciamos a campanha nas redes sociais com a finalidade de alcançar, apoiar jovens e adolescentes em como lidar com sua sexualidade. Para nossa surpresa, a campanha se espalhou de forma sem precedentes.

E o que achávamos que seria a opção de uma minoria virou a escolha de milhões. Com poucos meses na internet, a mobilização alcançou grande adesão pelo Brasil. Hoje são mais de 140 mil seguidores no Twitter e 850 mil no Facebook. O site da mobilização recebe milhares e milhares de visitas por dia.

Isso não é do homem. Isso não é resultado do nosso trabalho, isso é de Deus. Está na agenda de Deus para essa geração. Deus está escrevendo uma história na vida de milhares jovens nessa geração. Sobre o estímulo da mídia no que se refere ao sexo: não podemos fechar os olhos sobre a existência dele. Mas os cristãos sempre foram tentados, é assim que o inimigo trabalha. Cabe ao jovem se manter firme em Cristo. E não existe ou existirá maior fortaleza para o homem que o Senhor ao seu lado. Nós não estamos sós no nosso propósito.

O senhor comenta no site da mobilização que é algo comum, mesmo entre jovens cristãos, o chamado “test drive” quando se começa um relacionamento. O que seria este “test drive” e quais os resultados que um casal pode obter ao lançar mão desse hábito?
Hoje, vivemos em uma sociedade que prega liberdade sexual. Mas liberdade sem responsabilidade não é liberdade, é libertinagem. Isso tem trazido consequências desastrosas, como alto índice de gravidez na adolescência, crescimento alarmante de doenças sexualmente transmissíveis e também o grande número de divórcios, que segue crescendo e batendo recordes.

Essa liberdade sexual deturpada que a sociedade prega e ensina tem despertado cada vez mais pessoas a terem experiências sexuais precocemente. Ao mesmo tempo, existem milhares de pessoas que escolhem esperar o casamento para terem suas experiências sexuais, porém sofrem preconceito, são alvos de deboche e constrangimento por suas opções. Por isso pensamos: “existem tantas campanhas e movimentos pela vida e saúde, por que não uma campanha para fortalecer essa turma?” Foi aí que começamos o “Eu Escolhi Esperar”.

O “test drive” infelizmente se tornou mesmo prática comum quando um relacionamento “vingou”. Ou seja, os jovens praticam o ato sexual antes do casamento, como forma de checar se o companheiro atenderá às expectativas após o matrimônio.

Isso vai contra o que determina a Palavra. A Bíblia não diz que podemos sair experimentando por aí, até encontrarmos a pessoa certa. As pessoas estão colocando o carro na frente dos bois. Os resultados são trágicos e podem levar a desconfiança, corações partidos e sonhos desfeitos. O jovem deve buscar um leito sem mácula. Quer presente maior que a esposa dizer ao marido, e o marido dizer a esposa, na noite de núpcias: “eu te amo e me guardei para você”? É isso o que a Palavra fala aos homens.“Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (I Corintios 7:9).

Nesta passagem da Bíblia, Paulo fala dos riscos e da solução para que os enamorados possam seguir uma conduta cristã. No entanto, isso não poderia ser usado equivocadamente para acelerar o casamento de jovens que não estão preparados para tal responsabilidade, vendo no matrimônio só uma saída “aceita social e religiosamente” para a iniciação sexual? Essa passagem não deve ser lida separada de todo o contexto, ou podemos mesmo ter a impressão de que Paulo está colocando o sexo como a finalidade para um casamento.

É preciso analisar o texto como um todo. Paulo certamente não quis dizer “se não se aguentar mais de desejo pelo seu companheiro, é melhor casar rápido, para que o sexo possa ser praticado sem culpa”. O que ele quis dizer é que “se você e seu companheiro se amam verdadeiramente, já estão amadurecidos e sentem dificuldades para conter os impulsos, não demorem a se casar”. Sexo não deve ser a causa para o casamento, e sim a consequência.

E claro, pessoas muito jovens que estão pensando em se casar deveriam ter o apoio dos seus pais e pastores. Casamento é coisa séria, não é um passo para ser dado por impulsos da adolescência. Quem se casa por sexo não procura uma esposa, e sim uma prostituta legalizada. É forte? É! Mas é a verdade!

Como é trabalhado o sentimento de quem não conseguiu se guardar até o casamento? O que dizer para aqueles que não são mais virgens, mas que se arrependeram?
O nosso Senhor é um Deus de recomeço. Ele faz nova todas as coisas, restaura, revigora. Ele regenera o homem, Ele escreve uma nova história. O fato de ter tido experiências anteriores deixou de ser importante, uma vez que você se ajoelhou diante do Pai e se arrependeu. Deus faz tudo novo, de novo. Ele é um especialista nisso.

Para aqueles que ainda vivem uma vida dupla, uma na igreja e outra fora dela, digo: nunca é tarde para se fazer aquilo que é certo, reconcilie-se com Deus. Ele te ama, Ele te espera. E só está esperando uma chance para entrar no seu coração e fazer a obra. Só depende de nós fazer este convite. Em troca, ganhamos o perdão de um Pai sempre amoroso.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.