“Somos dirigidos por Deus e nossa essência é toda baseada na bíblia”

Paulo Cesar lidera o Grupo Logos há 37 anos. Foto: Reprodução Web

Pastor, compositor e vocalista de um dos grupos mais antigos da música cristã, o Logos. Aos 68 anos e 37 de carreira, Paulo Cesar não perde sua identidade. E usa suas canções para falar do amor de Deus.

Paulo Cesar da Silva é um dos nomes mais conhecidos da música evangélica brasileira. Ele começou na década de 70. Passou pela evolução da música cristã. E chega aos 37 anos de carreira com a convicção de estar no caminho certo quando o assunto é evangelizar através da música.

Em entrevista a Comunhão, Paulo Cezar permitiu-se falar de coração aberto sobre o que pensa do Ministério e da indústria musical. Disse que busca inspiração na bíblia para fazer suas composições. “Somos dirigidos por Deus e nossa essência é toda baseada na bíblia”, disse.

Você é um dos nomes mais conhecidos da música cristã brasileira, e dirige o Ministério Logos há 37 anos. Nesse período houve uma evolução e o grupo precisou acompanhar isso. Na sua opinião, o que mudou ao longo desse tempo?

Acho que o que mudou foi o conteúdo das músicas, e para pior, tanto do que se produz como do objetivo com que se canta. Atualmente, a chamada música “gospel”, está sendo atacada de todos os lados e o mundanismo tomou o lugar da contextualização. Além disso, vemos a repetição de muitos jargões, palavras de ordem e mensagens de prosperidade.

O cenário musical mudou muito ao longo dos últimos 30 anos e como o Grupo Logos iniciou na década de 70, o que o Ministério têm feito para acompanhar a modernidade?

O grupo Logos segue não muda a essência do que foi chamado para fazer. Somos dirigidos por Deus e nossa essência é toda baseada na bíblia, claro que ao longo do tempo modernizamos nos instrumentos musicais e estilos das canções. Mas não trabalhamos e fazemos nossas apresentações sendo o centro das atenções. Nosso foco é Jesus. Acho que quando a performance ofusca o brilho do conteúdo, só resultados superficiais são colhidos.

Como o senhor vê a música sacra hoje na igreja? Acha que a música evangélica de hoje carece de conteúdo?

E não costumo reconhecer ou classificar adoradores, afinal, Deus pode usá-los, e quem sou eu  para achá-los? Mas creio que as letras são escritas de acordo com várias influências. O conhecimento é um deles e a falta dele ressalta a superficialidade e o apelo emocional.  Outro aspecto é a razão. Responder conscientemente ao motivo pelo que se compõe é determinante para quem o faz. E isso é que faz toda a diferença!

O senhor acredita que o músico cristão deve tocar de forma profissional sem desvirtuar o que Deus quer?

A música é um talento e não um dom espiritual. Eu creio que existem músicas compostas por cantores que não são crentes que são maravilhosas e por isso que independente de ser crente ou não qualquer pessoa pode exercer essa profissão. A diferença é que o músico cristão precisa ter sua vida santificada ao Senhor, dar testemunho e ser diferente. Além disso, avaliar o chamado de Deus para o exercício ministerial. Se ele sente isso em seu coração, deve exercê-lo como um servo e estar a disposição de Deus.

O Grupo Logos é um Ministério evangelístico que anda pelo Brasil levando a palavra de Deus. Ainda existe espaço para grupos de louvor com essa visão missionária que o grupo tem?

Posso dizer com toda convicção que sim e o Senhor abre portas para todos que trabalhem para Ele. O trabalho do Grupo Logos é exclusivamente evangelístico. Nosso objetivo é anunciar a boa nova de salvação de forma séria, com mensagens simples.

Qual o panorama que se desenha para o futuro por conta da decadência da indústria fonográfica? 

O uso da tecnologia moderna é um fator básico do desenvolvimento, por isso eu creio que alguns vão sobreviver e outros não. Mas acho que diante do mercado paralelo crescente, que é a pirataria e com o advento da internet, os valores e condições de pagamento dos produtos dessa indústria vão se ajustar de forma que satisfaça ao cliente. E isso vai acabar resultando em maior consumo.


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