Ideologia de gênero e sexualidade na educação

Marisa lobo, psicóloga clínica cristã, autora do livro “A Ideologia de Gênero na Educação”, faz um alerta aos pais sobre a desconstrução de valores imposta por movimentos feministas e LGBTTs às escolas.

“E criou Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra…” (Gênesis 1: 27-28). Talvez você já tenha lido ou ouvido alguém dizer que a família é uma instituição antiquada e que as escolas devam orientar sexualmente os estudantes, ainda nas primeiras séries, para que de cresçam aprendendo a respeitar a diversidade e os novos “modelos” de lares pregados pela sociedade. Isso é o que propõem os defensores da ideologia de gênero (IG).

Segundo eles, os seres humanos não se dividem em dois sexos, e ninguém nasce homem ou mulher, mesmo diante das diferenças anatômicas. As pessoas adquirem esses papéis com o passar do tempo, de acordo com o contexto histórico, social e cultural e, por essa razão, as crianças devem ser tratadas de forma “neutra”, para que elas mesmas escolham seu gênero no futuro.

O assunto tem provocado discussões em todo o país, principalmente por conta da adequação dos Planos de Educação Municipais. Para que as famílias possam ser melhor orientadas sobre essa temática, as igrejas Presbiteriana e Batista de Jardim Camburi, em Vitória, vão promover nos dias 25 e 26 de junho o congresso “Ideologia de Gênero”, com a preleção da Dra. Marisa Lobo.

Como a ideologia de gênero (IG) surgiu no Brasil?
Pelas mãos do feminismo, sob a influência do movimento LGBTT. Nosso país foi um dos primeiros a seguir a orientação da Organização das Nações Unidas (ONU) quando, em 2009, o presidente Lula assinou o Decreto 7037/2009, que estabelece a meta de “reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais”. Ou seja, o Governo não só deseja o reconhecimento das outras configurações familiares e da diversidade sexual, como a desconstrução do status de normalidade da família tradicional, ainda contemplada na Constituição. Já o feminismo, por meio de estudos sociológicos e antropológicos, vem tentando demonstrar que as explicações de ordem natural são na verdade uma formulação ideológica utilizada para justificar e legitimar os comportamentos sociais de homens e mulheres.

O Governo Federal tentou incluir a IG no Plano Nacional de Educação, mas isso não foi aprovado. No entanto, por que essa temática continua sendo tratada nas escolas?
Essa linha ideológica foi recusada em 2014, pelo Congresso Nacional, porém o Ministério de Educação (MEC) ignorou essa decisão e exigiu que os estados e os municípios instituíssem essa matéria no currículo escolar. A pressão do Governo não surtiu efeito, e a maioria do deputados estaduais e vereadores recusou o tema. Mas, apesar de não ser lei, algumas escolas ignoram e tentam implantá-la dentro das salas de aula, mesmo sem anuência da família.

Como o MEC vem conduzindo a educação?
A educação no Brasil está um caos, e o MEC tem agido com total doutrinação ideológica política de esquerda, relativizando todos os conteúdos, banalizando a sexualidade. Muito se fala em direitos sexuais de crianças, como se a criança pudesse decidir sobre sua sexualidade ainda em formação. A precocidade com que os tais gestores do MEC tratam assuntos ligados à sexualidade infantil nos preocupa demasiadamente. A Constituição declara em seus artigos 226, 229, entre outros, que o empoderamento dos pais sobre seus filhos é dever da família, e não do Estado.

O que é doutrinação infantil e de que forma a escola pode interferir na construção ou na desconstrução de valores?
É a forma como alguns educadores tratam o tema, convencendo a criança, que é um ouvinte passivo, que ela não nasceu homem ou mulher e que seu sexo é apenas um detalhe. A escola utiliza estratégias de dominação que podem controlar crianças e jovens pela via do chamado “construtivismo” ou do “conhecimento relativista” que nega o ensino objetivo. Assim, vão induzindo-os ao erro e à crença em filosofias que prometem igualdade, fraternidade e, principalmente, liberdade. E qual deles não sonha com a liberdade total de seus instintos, impulsos e desejos?

É correta a afirmativa de que o masculino e o feminino são criações puramente culturais?
Não, de forma alguma. O que podemos dizer é que a cultura, a sociedade e o meio em que vivemos influenciam sim, mas não são fatores determinantes para a construção de gênero. O ser humano é um ser plural, é a soma de várias partes, e podemos afirmar que esta soma é quem determina e constrói esse sujeito. A cultura pode influenciar de forma positiva ou negativa, mas não a ponto de mudar o gênero de uma pessoa; mas pode gerar conflitos entre o sexo de nascimento e o gênero atribuído.

Em que idade é mais perigoso que a criança tenha contato com esse tipo de ideologia?
Na primeira infância, pois ela ainda está em formação. Seu sistema nervoso central está se construindo; seus afetos, sua libido, suas pulsões estão encontrando significado. As crianças devem ser protegidas, e conteúdos contrários à sua natureza humana (biológica, genética, hormonal e etc), assim como conteúdos morais, não devem ser repassados de forma a promover modos de vida contrários ao entendimento de sua família e de suas tradições sociais e religiosas. Caso contrário, ela poderá ter inúmeros conflitos de ordem e sofrimento psíquico, como descrevo no livro “A Ideologia de Gênero na Educação”.

A senhora pode esclarecer mais sobre a afirmativa de que “toda criança nasce com predisposição a desenvolver características psicológicas do sexo a que pertence”? Como essa afirmativa se opõe ao discurso dominante da ideologia de gênero?
Todo ser humano nasce com pré-disposição a desenvolver características psicológicas do sexo de nascimento. O que desequilibra esta verdade são imposições culturais, reorientação sexual, conflitos familiares, identificação negativa do complexo de édipo, entre outros. Nascemos homens e mulheres, mas reconheço que as formas de agir com nosso sexo são ensinadas, porém, o instinto humano procura o sexo oposto para procriação de forma natural.

Como a sociedade tem reagido sobre a implantação da IG nas escolas?
A sociedade rejeitou totalmente a IG em todo o Brasil e deve continuar discutindo com os educadores e não admitir a inclusão de conteúdos que erotizem seus filhos. Hoje, o maior problema é a forma como alguns professores tratam o tema, com muita vulgaridade e falta de cuidado com as tradições familiares. Eles se intrometem nos valores das crianças e acabam violentando emocionalmente os alunos que não concordam com seus ensinamentos. Podemos falar das diferenças em sala de aula, discutir o preconceito, mas não podemos arregimentar os estudantes para causas pessoais.

Então, de que forma as raízes históricas das famílias e os valores cristãos devem ser preservados?
Valores são repassados no âmbito familiar, de pais para filhos. Provérbios 22:6 é fantástico e nos ensina essa realidade, cientificamente comprovada com estudos em todas as áreas. “Ensina a criança no caminho que deve andar e quando for velho não se desviará dele.” É dever dos pais, não da escola, a educação religiosa e moral. É direito e dever dos pais educar suas crianças e adolescentes por meio de argumentos e modelos positivos. Nesse contexto, cabe aos pais protegê-los de qualquer tipo de abuso, mesmo aquele cometido pela escola ou pelo professor, quando algum tipo de ensino ou exigência afrontar as tradições religiosas e morais do aluno.

Como podemos contribuir para reduzir a opressão masculina sobre a feminina e o preconceito contra os homoafetivos, sem nos aliançarmos a esse tipo de ideologia?
Há muita confusão no entendimento dessa educação de gênero, pois os discursos são estes: “eliminar preconceito contra o sexo feminino” ou “estabelecer a equidade entre os gêneros”. Uma pergunta tem que ser feita: de que gênero estão falando? Binário (masculino x feminino) consonante com o sexo de nascimento? Ou não binário (discordante do sexo de nascimento)? Essa é a problemática, pois o movimento defensor de gênero na educação mente, distorce os termos e diz estar defendendo a mulher quando na verdade para eles a mulher não tem absolutamente nada a ver com o sexo de nascimento. Podemos ensinar nossas crianças a respeitar as outras crianças além de suas diferenças, sem mentir para elas.

Muitos grupos religiosos estão sendo acusados de “atuar para frear e interromper a consolidação de valores básicos da democracia, como o respeito à pluralidade e à diversidade, que caracterizam as sociedades contemporâneas”. O que a senhora pensa a respeito?
É direito da sociedade frear essa compulsão social, essa reorientação sexual, pois ela é uma luta por direitos subversivos. Estamos claramente em uma guerra ideológica política, onde todos têm o direito de lutar pela sua verdade. Cristãos fazem parte da sociedade, da diversidade religiosa, da pluralidade, e devem lutar pela educação formal de seus filhos.

Recentemente, a Associação de Pediatria dos EUA declarou-se formalmente contra a ideologia de gênero. Tem conhecimento se houve algum reflexo dessa posição para o Brasil?
Houve sim. Inclusive no meu livro publiquei esse estudo, que nos ajudou a respaldar nossas palestras em audiências públicas e a convencer deputados e vereadores a não permitir a inclusão da IG na educação.

A senhora ficou conhecida por crer na “cura gay” e chegou a ter sua licença profissional cassada pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP). Como lida com essas perseguições e preconceitos?
É mistério que isto aconteça: que sejamos perseguidos pelas causas de Cristo. Chega um momento de nossas vidas que temos que lutar pelos nossos direitos de viver conforme nossa fé, e temos que enfrentar tudo! Inclusive mentiras e processos. Tenho enfrentado desde 2010 muita perseguição, sendo tachada de muitos adjetivos pejorativos. Provei que nunca disse que “curava gay” ou oferecia cura para algo que a psicologia não vê, desde 1973, como doença. Já fiquei deprimida, mas hoje encaro como uma forma que Deus encontrou para me fortalecer. Não posso ter vergonha ou receio de falar a verdade. Sofro, mas agradeço a Deus por ser perseguida por amor a Ele.

E de que forma a Igreja pode acolher esse público e alcançá-lo para Jesus?
A Igreja cristã deve acolher todas as pessoas, independentemente de suas diferenças. Devemos amar além das diferenças, ensinar nossos filhos a respeitar as pessoas além delas mesmas e de seus comportamentos, sem discriminação. Porém, quando essa pessoa chega até nós, após o acolhimento, devemos falar a verdade; a única verdade que cura, sara e liberta: Jesus. E se falarmos com amor e respeito, com certeza a mensagem da cruz será entendida.


Matéria originalmente publicada em junho de 2016

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