É a Cristo, o Senhor, que estamos servindo

O Brasil vive um momento especial, marcado por desafios materiais e espirituais.  Na sua maior crise econômica, o país registra um grande número de desempregados lutando pela subsistência.

Por outro lado, a nação está sujeita a influências e consequências de ideais e ações contrários aos valores cristãos. Em momentos assim, ocupar o cargo de ministro de Estado do Trabalho ganha contornos especiais, quando já se tem, também, o privilégio de ser ministro do Evangelho de Cristo. São duas frentes de combate que têm traços em comum, ambas com o propósito e o compromisso de atuar pelo bem-estar do povo – seja ele físico ou espiritual.

Quando o apóstolo Paulo se apresenta aos romanos como “ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o Evangelho de Deus”, ele utiliza a palavra grega “leitourgos”, do hebraico “meshareth”, usada para designar auxiliares de pessoas de altos cargos, como sacerdotes e levitas. Daí temos a nossa “liturgia”, que em sua origem grega era “função em serviço público”.  Ou seja, o “ministro” está ligado ao serviço sacerdotal, como um servo de Deus a serviço do povo.

É um serviço com duas características essenciais. Primeiro, a autoentrega, para tratar de assuntos espirituais, de orientação e de acolhimento do povo. Depois, a preocupação com o rebanho, pois, assim como Jesus sentia compaixão de quem estava sofrendo, o pastor vai ao encontro dos necessitados.

O resultado é libertador. A mensagem que o ministro do Evangelho leva transforma uma pessoa desacreditada, tirando-a de seu estado deplorável. Pela ação do Espírito Santo, a partir da pregação do Evangelho, aquele indivíduo que não acreditava mais em si próprio se torna um cidadão de bem, com objetivos na vida outra vez.

A Bíblia diz também que com o suor do rosto se ganha o pão de cada dia. Infelizmente, o Brasil ainda tem níveis altos de desemprego, uma condição que deixa o ser humano sem esperança, com baixa autoestima e precisando de ajuda. Temos convicção de que as ações do Ministério do Trabalho estão ajudando a reverter esse quadro, dando a primeira marcha para a retomada do crescimento e da empregabilidade.

Mas esta situação mostra que um ministro de Estado também deve se guiar pelo princípio emancipatório, não buscando levar pessoas à dependência do Estado, mas buscando incansavelmente contribuir para um país mais justo, em que o cidadão tenha condições de ganhar o pão com o suor do seu rosto, com honestidade, liberdade e dignidade. Como no caso do pastor, são necessárias autoentrega e compaixão. E também é um desafio não apenas material.

Nossa luta não é contra pessoas. Como cristãos, sabemos que há mais do que disputas ideológicas em jogo. Nossa nação, de brasileiros feitos à imagem e semelhança de Deus, é alvo de um adversário que “anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. Por isso, é importante que os cristãos do Brasil se mobilizem em oração, arma que destrói as artimanhas do inimigo de nossas almas.

Como povo pacífico e trabalhador, temos um grande futuro para construir. Devemos lutar o bom combate, sempre guardando – como ministro do Evangelho, de Estado ou em qualquer atividade – a orientação de Paulo aos colossenses, para fazer tudo de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, conscientes de que receberemos do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que estamos servindo!

Ronaldo Nogueira é pastor da Igreja Assembleia de Deus no Rio Grande do Sul e ministro do Trabalho