Drogas: Legalizar é o caminho?

Em uma série de artigos, vamos refletir a questão das drogas em vários âmbitos. Em outra oportunidade, falamos sobre a responsabilidade da Igreja no combate a este mal e no acolhimento dos excluídos pela sociedade. Desta vez, falaremos sobre um tema em alta: a legalização de entorpecentes do Brasil.

A discussão sobre a liberação de uso de drogas no nosso país segue uma tendência mundial em que se estabelece a possibilidade de ficar mais fácil lidar com o problema, o que tem levado muitos países a liberarem o uso, porte, cultivo e venda controlada, não somente com fins medicinais, mas também, recreativo.

Países como a Jamaica, Colômbia, Peru, Holanda, Uruguai, Espanha, México, Estados Unidos e Equador permitem o porte e o uso de drogas, sendo Canadá o mais novo país a legalizar o uso de maconha para fins recreativos, desde julho de 2018.

Muitos dos que defendem a liberalização de drogas para uso recreativo, alegam motivos tais como o fim do lucro exagerado do narcotráfico, bem como a sua extinção, fabricação e manipulação de substâncias dentro de ambientes saudáveis, diminuição da corrupção, fim do desperdício de milhões de dólares nas políticas repressivas, segundo afirmam infrutíferas, diminuição do número de vítimas inocentes ocorridas pela obscuridade do comércio ilegal, como ensinar a sociedade a conviver com as drogas tal qual tem convivido com outras substâncias como álcool e o cigarro, entre outros.

Mesmo respeitando o direito de cada pessoa em ter sua própria opinião, é óbvio que estas posições são equivocadas em vários aspectos.

Primeiro, considerando que as drogas matam, destroem vidas, inviabilizam futuros, destroem ligações cerebrais, favorecem a destruição da família, trazem doenças físicas e mentais… Os resultados finais do uso de drogas são sempre drásticos dramáticos e destrutivos, o que já justificaria o ‘NÃO’ à legalização.

Em segundo lugar, nós acreditamos, e não temos dúvida de que, a legalização não diminuiria  o tráfico, muito pelo contrário, iria transforma-lo em numa atividade muito mais violenta e recorrente. Imaginem: se hoje traficantes se matam para manterem os seus negócios, atacando oponentes poderosos com armas de grande poder, o que não acontecerá quando eles se virem desafiados por comerciantes “honestos” que vendem drogas em bares, pubs ou farmácias? Certamente no mínimo irão atacar esses estabelecimentos com muito mais facilidade e menos riscos, e ainda terão acesso, teoricamente, a entorpecentes de melhor qualidade, bem mais fáceis de conseguir.

Em terceiro lugar, pensar que a legalização diminuiria o número de usuários e imaginar que isso possibilitaria a estes usuários, se desejarem, tratamento sem preconceitos da sociedade é outro absurdo. É certo que o número de usuários aumentaria e muito, não havendo nenhum tipo de restrição legal, policial ou jurídica com relação ao uso de entorpecentes, o que geraria um custo muito alto para o poder público, que deveria construir e custear novos hospitais e casas de recuperação por conta do aumento acelerado do número de dependentes químicos, e todos os danos físicos recorrentes deste aumento de demanda.

Com certeza, o traficante não desistiria de sua atividade. Ele nunca iria procurar um emprego, ou tirar o CNPJ para poder continuar legalmente com o seu negócio. Mesmo que fosse procurar outra atividade, numa possível extinção do narcotráfico (no que sinceramente não acredito), suas opções seriam criminosas, como roubo, sequestro, extorsão, ou outra do gênero, aumentando ainda mais a violência em nosso país.

O Brasil já tem fama de ser um país bastante liberal no que diz respeito à recepção de turistas por conta da prostituição, liberalismo e impunidade. E, certamente, seria invadido por turistas viciados em busca de drogas o que, diferente do que possa parecer, traria mais problemas do que lucros para o país.

Lembrando o que aconteceu na Holanda, por exemplo, que a princípio liberou a venda em um bairro, desde então vem restringindo progressivamente por causa das más experiências que tem vivido por conta dos problemas causados por ‘“malucos alucinados”.

Com certeza a legalização traria um prejuízo muito grande para nossa nação, principalmente nossas famílias, e jogaria nas costas do governo o ônus de lançar milhões e milhões de jovens no mundo obscuro das drogas.

Por minha iniciativa, quanto às drogas, iniciaria sim um movimento, não para liberar o uso de entorpecentes hoje ilegais, mas de restringir ainda mais o uso dos permitidos, principalmente álcool e tabaco, grandes causadores de mortes e problemas de difícil solução no nosso país e mundo.

Celso Godoy. Pastor batista, terapeuta e conselheiro. Especialista em dependência química.


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