Dom de Interpretação

Na última reportagem da série sobre dons espirituais, é explicada a interpretação de línguas, descrita na carta de Paulo aos Coríntios

Seguido do dom de variedades de línguas, o dom de interpretação se apresenta para a edificação da Igreja de duas maneiras: para comunicação em idioma não pátrio e a língua dos anjos.

A interpretação não deve ser entendida como tradução, já que a manifestação acontece não por conhecimento da língua, mas por intervenção espiritual; e para que ocorra é essencial a oração. Seu propósito é tornar o dom de variedades de línguas inteligível aos ouvintes, para que a Igreja e aquele que o possui possam saber o que foi dito e, assim, serem edificados (1 Coríntios 14:5).

O pastor da Igreja Presbiteriana de Jaburuna, Vila Velha, Max Wenzel Eler Louzada, explica que sua denominação não crê na contemporaneidade do “dom de línguas estranhas”. “Já nos dias de Paulo (que falava mais línguas que qualquer outro), o apóstolo declarou: ‘Na igreja prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar 10 mil palavras em outra língua’ (1 Coríntios. 14, 19)”, ressalta.

Portanto, segundo o pastor Max Wenzel, não se trata de rejeitar essa dádiva, mas é necessário o entendimento para que haja eficácia em sua prática. Ele observa que na manifestação de variedades de línguas de Atos 2, quando os apóstolos conseguem entender os idiomas que não a língua a pátria, está claro que não houve interpretação. “Se houve algum dom ali, este foi de ‘audição’, pois está escrito: ‘Como os ouvimos falar em nossa própria língua?’ (Atos 2: 6, 8 e 11).

Notem a ênfase na audição, e não na interpretação, que de fato não houve. Além disso, o fenômeno ali não se trata de ‘línguas estranhas’ (desconhecidas, misteriosas), mas outras que não a dos discípulos, conforme relato das nacionalidades do verso 9 ao 11. Portanto, sequer menciona intérprete, muito menos um ‘dom de interpretar’ aqui, neste que é o texto áureo para os que defendem o dom de línguas como contemporâneo”, salienta.

O pastor Max explica que Paulo apresenta a possibilidade de dois ou três falarem em “outras línguas”; neste caso é preciso haver intérprete. No grego existem duas palavra que poderiam ser aplicadas para “novas línguas”: “neós” e “kainós”. “Neós” significa “aquilo que não existia e por isso era desconhecido”. “Kainós” quer dizer “aquilo que existia, mas não era conhecido, por isto desconhecido até então por aquele que a falou”. “A palavra usada em Lucas 16:17 é ‘kainós’. Logo, não se trata de uma língua inexistente até então, mas não conhecida de antemão por eles”.

Para ele, embora se tratasse de um sinal na Igreja primitiva para legitimar seu surgimento, Paulo descreveu essa manifestação com retorno negativo. “Em 1 Coríntios 14:6, ‘em que vos aproveitarei?’ e ainda, em 1 Coríntios 14:23, ao defender que o falar em outras línguas produziria apenas o julgamento negativo do indouto aos crentes. Portanto, o mínimo a se fazer é ter ‘o intérprete’ para que não seja de todo infrutífero. Entretanto, reforço que não há nenhuma afirmação da ‘interpretação’ como dom”, acrescenta.

Instrução para evitar desvios
O pastor da Igreja Assembleia de Deus de Jardim América, Cariacica, Robson Belisário, explica que o dom de interpretação é a manifestação do Espírito Santo no crente, capacitando-o com essa habilidade a compreender e interpretar uma mensagem dada em línguas, transmitindo o significado à Igreja.

“O objetivo dos dons, de uma forma geral, são a edificação e a santificação da Igreja, ou seja, trazem fortalecimento espiritual ao Corpo de Cristo e àqueles que necessitam de ajuda espiritual nesse campo. (1 Co 14.3-5, 12, 26). Essa edificação visa a fortalecer e proporcionar crescimento e o amadurecimento da vida espiritual e do caráter santo de cada crente. A Igreja de Corinto era abençoada, pois os crentes tinham o privilégio de serem usados pelo Espírito Santo nas manifestações dos dons espirituais, visando ao crescimento e santidade dos irmãos. Porém, a instrução de Paulo foi necessária devido aos exageros que estavam acontecendo, e estes estavam trazendo prejuízo à obra de Deus naquela comunidade. A exortação do apóstolo veio trazer correção e instrução à Igreja do Senhor para que não mais ocorressem os desvios doutrinários”.

Pastor Robson descreve como os alertas o uso com ordem e equilíbrio (1 Co 14.26-40) e o falar em línguas, sem a interpretação, que edifica apenas a si mesmo (1 Co 14.4). “Por isso a recomendação do apóstolo Paulo para que ‘o que fala em línguas estranhas ore para que a possa interpretar’ (1 Co 14.13). Também é tolice pensar que o crente com o dom é mais espiritual ou mais santo do que não tem. Quem tem o privilégio de recebê-lo lembrar que o dom é do Espírito, e Ele dá a quem quer,com o objetivo de edificar a Igreja. Portanto, toda glória a Jesus! Quem não o tem deve buscar para que também possa ser instrumento de Deus para a edificação da Sua Igreja. A ninguém cabe o senso de superioridade ou inferioridade, pois cada membro é igualmente importante pra o Senhor”.

E o recado dado pelo pastor Robson ao final desta série sobre dons é que estes são dados não para mérito próprio dos homens. A vontade e a soberania de Deus determinam essa distribuição. (1 Co 12.7). “Todo crente deve buscar discernir as manifestações espirituais, pois o diabo pode usar de sua sagacidade para confundir aos desatentos. A Bíblia diz que o crente deve ‘provar se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo’ (1 jo 4.1)”, finalizou
Confira esta matéria em áudio.

Compartilhe