Discussão não é a solução

Discussões podem ter como resultado grandes parcerias. Mas também podem ser bastante destrutivas.

Conflitos fazem parte da natureza humana. Sempre que interesses são contrariados, surgem pontos de atrito que acabam levando a eles. Há conflitos entre pessoas, entre grupos, entre nações – mas poucos espaços são tão propícios à eclosão de conflitos quanto o matrimônio.

Afinal, é no casamento que as individualidades são postas à prova quase que diariamente. E os conflitos resultam justamente de nossa individualidade. Mas, para alguns casais, o conflito gera discussões que, com freqüência, fogem ao controle. Aí, ao invés de se encontrar soluções, criam-se novos problemas de relacionamento.

O que há de tão ruim nas discussões entre casais? É que, geralmente, elas não levam a soluções – quando um dos cônjuges vence a discussão, o outro sai derrotado. Discussões podem ter como resultado grandes parcerias. Mas, também, podem ser bastante destrutivas. Discussões são quase sempre carregadas de emoção. O pior é que as discussões acabam levando a um destes três resultados: o marido ganha, a mulher perde; a mulher ganha, seu marido perde; ou, então, ocorre um empate, onde ambos perdem. Nenhum dos dois aceita a posição do outro e ambos saem decepcionados, frustrados, magoados, irados.

A boa notícia é que os conflitos podem ser resolvidos sem discussão. Encontrar a solução certa começa quando decidimos acreditar que ela existe e que as duas pessoas envolvidas são inteligentes o suficiente para encontrá-la. Isso envolve respeito às idéias do outro, ainda que sem concordância tácita. E amor, é claro. Afinal, o objetivo é encontrar uma solução, e não vencer uma discussão. O alvo na solução dos conflitos não é acabar com as diferenças, mas aprender a trabalhar com elas, usando-as para tornar a convivência melhor. No caso da vida a dois, resolver conflitos é o passaporte para se construir um relacionamento melhor.

Não há como solucionar um conflito sem ouvir com empatia. Infelizmente, a maioria dos casais pensa que está ouvindo um ao outro; mas, na verdade, quando deveriam ouvir, estão apenas recarregando a metralhadora verbal. Ouvir com empatia significa tentar entender o que o parceiro está pensando e sentindo. É colocar-se no lugar do outro e tentar ver o mundo pelos seus olhos. Isso implica em baixar a arma verbal em prol de entendimento verdadeiro do ponto de vista do cônjuge. Em vez de pensar em como vamos responder ao que o outro está falando, deveríamos dedicar toda a atenção em ouvir o que ele está dizendo. Só obteremos uma resposta de amor depois que entendermos o significado e o sentimento que se encontram por trás das palavras.

O erro mais comum que os casais cometem na tentativa de solucionar conflitos é responder antes de enxergar o cenário completo. É inevitável que isso leve a discussões. Quando as pessoas retrucam rápido demais, costumam responder à questão errada. Mas ouvir ajuda a focalizar o ponto central do conflito. Quando você declara ter entendido a perspectiva de seu cônjuge, pode compartilhar a sua e, juntos, negociarem uma solução que atenda às idéias e os sentimentos dos dois.

Sim, é possível encontrar uma solução em que os dois saiam vencedores. Quando ouvimos, entendemos e respeitamos as idéias um do outro. Quando o marido e a esposa buscam soluções em amor para os conflitos, acabam chegando à harmonia e à união que desejam construir acima de tudo.

Gary D. Chapman  é o autor da série “As cinco linguagens do amor”. Mora na Carolina do Norte com sua esposa, Karolyn.

Artigo publicado originalmente no site Cristianismo Hoje em dezembro/10. Os conteúdos da Cristianismo Hoje, a partir de maio/17, estão incorporados, com autorização, à plataforma da Revista Comunhão (Next Editorial)