Lidando com as Diferenças no Casamento

Muito anos atrás eu li um livro chamado, The Difference makes the Difference (A Diferença Faz a Diferença), onde o autor argumentava que a diferença entre as pessoas no casamento é positivo.

Ele afirmava que não existia incompatibilidade de gênios: apenas que os cônjuges vão mudando sua percepção com o tempo sobre suas diferenças. Casamos com quem é diferente de propósito. Ninguém aguenta viver com o espelho. Só que com o tempo, o que antes era enriquecedor na relação passou a ser motivo de crítica.

Então, como podemos fazer para lidar melhor com as nossas diferenças no casamento quando surgem os conflitos?

Não seja “histórico”. Quando conheci ao meu esposo, ele me comentou que tinha um amigo que dizia que quando brigava com a sua esposa, ela ficava “histórica” em vez de histérica: narrava todas as coisas erradas que tinha feito desde que se conheceram. Então a primeira sugestão é: não seja histórico! Não vai catando a lista dos pecados passados na hora da briga. Lembra que isso tem que ir para o Mar do Esquecimento. Se ainda não foi perdoado então tem que lidar com isso primeiro. Mas quando brigarem, mantenha o assunto no presente. Se um começar a puxar o fio do passado, o outro deve lembrar o acordo de não serem “históricos”.

A gente perde a razão pela forma de dizer as coisas. Cuidado com suas palavras. A Bíblia diz que devemos falar a verdade em amor. Jesus é nosso exemplo. Ainda furioso, não pecou. Lembre-se de dizer as coisas com jeito, com amor.

Não faça das suas palavras uma arma. Não assuste a outra pessoa. Não faça ameaças, especialmente ameaças falsas. Lembrem-se que são aliados e não inimigos. Ninguém ganha briga de casal. Se um “ganha” todos perdem. Então, nada de insultos, sarcasmos e ironias. Isso não faz parte da comunicação saudável.

Briguem de forma limpa. Fale na primeira pessoa. Diga, eu estou assustada porque parece que estamos com pouco dinheiro e não, você sempre gasta tudo que temos! Não use as expressões sempre, nunca e jamais, porque essas generalizações não são verdadeiras. Ninguém é alguma coisa o tempo todo.

Procure terminar a briga com um gesto de boa vontade: um cafezinho, um convite para fazerem uma caminhada ou outra proposta agradável. Aceite o geste da outra pessoa se ela te oferecer. É um gesto que significa: Temos um futuro juntos e gosto disso.

Busca um tempo para conversar. Se você tem medo de não saber dizer bem as coisas ou de brigarem ainda mais, escreva primeiro numa carta e leia para o outro. Como ponto de partida. Tenta explicar seu ponto de vista sem ofender a outra pessoa. Ofereça soluções para o problema. Orem juntos. Comecem a conversa em oração. Peça perdão e perdoe.

Simples? Sim. Fácil? Não.

Negociem soluções. Às vezes não basta conversar e perdoar. É preciso procurar soluções para a causa do conflito. Sejam criativos relação às soluções. As cosias pequenas também incomodam. Lembro de uma amiga que dizia que todos os dias seu marido tomava banho e deixava a toalha molhada no seu lado da cama. Ela ficava com muita raiva. Em compensação, ela era incapaz de fechar uma porta de armário no quarto. Ele ficava furioso porque ela deixava todas as portas dos armários aberto. Um dia negociaram a solução: ela iria guardar a toalha molhada e ele iria fechar as portas. Acabou o problema.

Finalmente, fortaleça a relação de casal. Procure oportunidades para estar sozinhos e conversar das coisas que são importantes, ou simplesmente jogar conversa fora. Tenham um tempo de oração juntos, diariamente. Não esperem chegar os problemas para começar a conversar. Façam cursos e retiros de enriquecimento matrimonial. Dediquem-se a procurar desenvolver formas saudáveis de comunicação. Não façam vingança. Se for preciso, procurem ajuda profissional. Lembrem-se que o casamento é mais importante que o orgulho!

Fazendo assim com certeza vão saber conviver com as diferenças que enriquecem a vida do casal! Vão ver que, no final das contas, a gente precisa mesmo de quem é diferente.


Esly Regina Carvalho é doutora em psicologia e dirige o ministério da Praça do Encontro. Dirige também a TraumaClinic e oferece formação em terapia EMDR. É autora de vários livros cristãos e clínicos, casada com missionário aposentado e curte sua relação em família, especialmente os netos!

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