Diante do espelho

Mulher não vive sem espelho. A primeira coisa que faz ao se levantar é ver sua imagem refletida e se perguntar: “Como será o meu dia?”. E, ao sair de casa, dá mais uma olhada, além de carregar um na bolsa para consultas temporárias.

Quero conversar sobre nossa atitude diante do espelho quando enfrentamos crises em nossa vida. Elas são inevitáveis, e uma coisa que tenho compreendido é que na escola conhecemos as lições e depois fazemos as provas. Na vida, temos as provas e depois vamos aprendendo as lições. Primeiro, somos provadas para depois sermos aprovadas ou reprovadas. Vejam dois prefixos que fazem toda a diferença.

As provas fazem parte da vida, mas a maneira como as encaramos e as lições que buscamos aprender é que vão nos ajudar a amadurecer como pessoas e principalmente reconhecer o grande e amoroso Deus que temos que está conosco em todas as situações. Ele nos ajuda a entender as lições que precisamos aprender.

A palavra “crise” para nós significa “fim do poço” ou “sem saída”. Em nossa cultura, estar em crise é sinal de que estamos perdidos. Mas, na língua chinesa, “crise” significa “tempo de perigo/tempo de oportunidade”. Naquela cultura, quando se está em perigo uma janela, abre-se para uma nova oportunidade. A crise se torna algo novo para novas atitudes.

As crises internas (como a resultante de insatisfação, insegurança, traumas emocionais e não trabalhados, descontentamento com a situação que vive, falta de intimidade com Deus, cobranças de parentes e amigos, etc) podem levar a pessoa perder a alegria da vida. Também temos as crises externas, provocadas por situações que estão fora de nosso controle, dependendo de outras pessoas. Cria-se uma relação de dependência e codependência, e não conseguimos resolver  a situação, culminando numa crise.

Em Jonas 2: 5,7 lemos “As águas me cercaram até a alma, o abismo me rodeou e as algas se enrolaram na minha cabeça… Quando dentro de mim desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor”.  Uma figura que nos mostra que podemos ter o perigo e as crises por todos os lados, mas estamos guardadas nos braços de Deus. Ela nos entende e nos ajuda, a cada dia, a vencermos as nossas dificuldades. É amparadas nEle que vencemos cada uma.

Usando a palavra “crise”

Podemos ter duas atitudes diante dessa turbulência. Armazenar e sofrer ou reagir e vencer. Vamos lá.

Primeiro, armazenar e sofrer:

CComiseração – “Coitada de mim, como sofro…”; “Tudo eu…” – síndrome de vítima que muitas mulheres possuem.

RRaiva – Quando, armazenada é perigosa. Ela nos adoece. É um veneno que tomamos em dose homeopática e nos destrói.

IInsegurança – Indecisão – Quanto mais inseguras e indecisas, pior a situação.

SSolidão – Isolar-se leva a maior sofrimento. Uma boa amiga ouvinte do lado muda tudo.

EEgoísmo – Vivemos muitas crises porque só pensamos em nós mesmas e nos esquecemos dos outros. Culpamos a todos e nos esquecemos de reconhecer nossos erros.

Segundo, reagir e ir em frente:

CConfronto – Analise os fatos em cada detalhe, que culminaram na crise. Veja cada um e onde foi que você vacilou.

RReação positiva – Não desista, vá em frente. Errar uma vez não significa que sempre vai errar.

IIniciativa – Assuma a iniciativa de resolver cada ação para que não se acumulem e leve você à depressão.

SSonhe – Sonhe, mas com os pés no chão. Sonhar faz parte da vida.

EEsperança – Espere e não desespere. Nem sempre resolveremos tudo no tempo que desejamos, mas a esperança nos anima a cada dia.

Portanto, duas atitudes diante das crises: ARMAZENAR E REAGIR. Se armazenar seus sentimentos de raiva, autocomiseração, abandono e egoísmo, você estará respirando um ar poluído. Mas, se reagir indo em frente, sonhando, tomando novas atitudes, será um ar saudável. O ar poluído adoece. O ar saudável enriquece a alma. Você é dona da sua escolha. Ninguém poderá fazer isso por você. Lembre-se de que crise é tempo de crescimento pessoal. Se quiser crescer como pessoa, enfrente-as na total dependência de Deus, pois Ele quer o melhor para nós.


Nancy Gonçalves Dusilek é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autora de “Mulher Sem Nome”, “O Grito das Incluídas”, “Liderança Cristã – A Arte de Crescer com as Pessoas” e “Descobrindo e Capacitando Líderes”. Formada em Educação Religiosa pelo Iber (Instituto Batista de Educação Religiosa) e em Letras pela UVA (Universidade Veiga de Almeida).


A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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