No Dia do Surdo, conheça a jovem que optou pelo “mundo do silêncio”

Jenifer interpretando em Libras durante o culto. Foto: Fernando Rodrigues

O Brasil tem 9,7 milhões de surdos e o que temos feito para que essas pessoas sejam alcançadas pelo Evangelho de Cristo?

No Dia Nacional do Surdo que é celebrado hoje, dia 26 de setembro, a Comunhão buscou um exemplo de como a Igreja pode auxiliar os surdos a sentirem a presença de Deus e a adorá-Lo, apesar da barreira da audição.

Jenifer Heleno Stoffel, de 26 anos, é graduanda em Matemática pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e membro da Igreja Batista Bethel Vila Velha (ES). Confira a sua história.

Testemunho

“Meu encontro com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi por acaso na faculdade. Cursando licenciatura em Matemática conheci um surdo, de outra turma, que andava com intérprete. Mas num período de transição de contrato ele ficou sem intérprete e coincidimos de pegar a matéria de Geometria juntos. Por ser uma disciplina que eu gostava muito e ao ver a dificuldade dele, me prontifiquei a ajuda-lo e acabei aprendendo um pouco a linguagem de sinais. Um tempo depois, entrou uma surda na igreja, onde eu reunia, e me aproximei para tentar ajuda-la a compreender o culto. Mas ela mudou de igreja e eu também.

Cheguei a interpretar alguns cultos e congressos de jovens e, nesse aprendizado constante, acabei conhecendo várias pessoas e tive mais contato com a linguagem de sinais. Me dei conta de que, infelizmente, esse é um universo separado, muitas pessoas não vêem que existem pessoas que não podem ouvir.

“Entrar no mundo do silêncio me possibilitou  sentir o amor de Deus nesse período tão egoísta em que a maioria das pessoas olha apenas para as próprias necessidades”

A Libras foi uma descoberta para mim. Foi onde me descobri capaz de estabelecer comunicação com pessoas incríveis, que me mostraram o valor de um olhar mais atento. Quando a voz não é mais suficiente para comunicar, o olhar consegue mostrar um sentimento e um carinho mais profundo.

Comecei a interpretar os cultos onde congrego atualmente porque percebi que alguém precisava fazer essa ponte no relacionamento dos surdos com Deus, quando as palavras faladas não bastam. Comecei a pesquisar sobre pessoas que fazem esse trabalho em outros igrejas e a lutar para superar a timidez.

Foto: Davi Bussular

Apesar de, ainda, não termos surdos na nossa Igreja, continuo porque creio que em algum dia essa mensagem vai chegar aos surdos por intermédio de mim. Sou muito grata a Deus por, de alguma forma, me escolher para ajuda-las a serem alcançadas pelo Evangelho na sua língua.

Meu sonho é me tornar uma intérprete profissional. Já fui do Ministério de Dança também, participei de coral quando eu era criança, mas hoje, ministrar em outra linguagem é mais uma forma que encontrei de adorar a Deus.

Acredito que, em algum momento, outras pessoas que hoje frequentam a nossa Igreja vão chegar para algum surdo e convida-las porque lá o culto é acessível a elas. Apesar de não poderem ouvir com os ouvidos, elas poderão “ouvir com os olhos”.

Nunca vou me esquecer do dia em que eu estava mal e só um surdo conseguiu olhar no meu olho e perceber que eu não estava bem e me ajudou. Quero sempre ser grata a isso e fazer algo por alguém que precisa ser incluído no nosso mundo.”


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