Desonestos, e daí?

Recebi esta frase pela internet: “Antigamente os cartazes das ruas, com rosto de criminosos, ofereciam recompensas! Hoje em dia, eles pedem votos!” Nelson Rodrigues já dizia que toda unanimidade é burra, logo não podemos generalizar com os políticos, mas infelizmente os bons sempre pagam pelos maus, e as ações dos maus sempre aparecem muito mais. Se até o próprio salmista já sentia inveja dos maus (Salmo 73), imagina em nossa sociedade achamos que todo mundo é coitadinho, até o mal, o errado e o malfeito!

Desde o descobrimento das Américas, criou-se uma idéia de que nas novas terras tudo era permitido. Nossos primeiros habitantes eram degredados, ou seja, condenados na Europa, se optassem pelo novo mundo, ficariam livres. A própria Rita Lee canta uma música do Chico Buarque que “não há pecado do lado de baixo do equador”. 500 anos cantando a mesma história, resultou na impressão de que por aqui, tudo pode, ou nada é proibido, logo, se você não roubar ou fizer um trambiquezinho você não consegue fazer nada neste país. Esta é uma marca pesada de nossa cultura. Por esta razão, por exemplo, as leis no Brasil nunca são feitas pensando no honesto, no ético, no correto. Elas são feitas pensando no sonegador, no desonesto. Aí, o honesto e o certo, pagam caro. As leis tentam de todas as formas impedirem que haja “buracos”. Dr. Everardo Maciel, Ex-Secretário da Receita Federal disse certa vez que “elisão fiscal é coisa de contribuinte esperto”, em outras palavras, o brasileiro gasta muito mais tempo procurando buracos nas leis do que fazendo a coisa certa.

Se a desonestidade está impregnada em nosso DNA, fica difícil esperar o que você pode fazer pelo seu país, pois estará sempre querendo saber o que nosso país pode fazer por você. Que podemos fazer pelo Brasil se o nosso ideal é levar vantagem, ganhar sem trabalhar, se encostar no INSS, ou ganhar dinheiro, mesmo com trabalho desonesto.

Quando comparamos com os países europeus ou mesmo os Estados Unidos, vemos que as coisas são bem diferentes. As leis são obedecidas, mesmo se ninguém estiver vigiando; as pessoas agem com honestidade, mesmo que não conheçam a outra pessoa. Os pagamentos são feitos, mesmo que isso signifique trabalhar mais. As leis nestes países são feitas para os cidadãos honestos. E o desonesto? Este é minoria e não atrapalha a maioria.

Obviamente toda esta cultura e modo de agir, trazemos para dentro das nossas igrejas. Queremos agir com Deus, da mesma maneira que agimos com nosso chefe ou com a Receita Federal. Temos sempre uma desculpa pronta para justificar minha falta de compromisso com Deus. Nem anjo pode ficar de bobeira que leva rasteira. Enganamos Deus nos dízimos e ofertas, se possível enganamos até o Diabo na hora de pecar. Pra aliviar nossa consciência, entramos em baixo de qualquer guarda-chuva de bênção mesmo que nem saiba por que ou pra que. Consequência? A igreja evangélica brasileira tem caminhado a passos largos na mesma direção que a Romana caminhou 500 anos atrás. Será que teremos que celebrar a Reforma com uma nova reforma?

Pr José Ernesto Conti

Créditos foto: Site Administradores 

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