Deficiente visual realiza sonho de cursar teologia

Mariana Passo e Nida Rodrigues. Foto: Reprodução

Mariana Passo concluiu as aulas com auxílio de áudios em MP3 para viabilizar aprendizado

“Agora, eu sei bem do que falo, antes tinham passagens bíblicas que eu não entendia”, diz Mariana Passo; na foto ela com sua maior incentivadora, pastora Nida Rodrigues, da Igreja Manancial de Sião, em Bauru (SP).

Acometida por perda visual total aos 22 anos por causa do diabetes, Mariana Aparecida Bueno viu seu mundo desabar. Completou o Ensino Médio com dificuldade na década de 90. Depois, encarou a frustração de um “não” em um curso de música, quando o professor disse a ela não saber como ensinar um cego. Desistiu da faculdade quando soube que o braile, linguagem que apesar da deficiência nunca dominou, seria a forma de ensino. As portas fechadas, contudo, foram superadas e, aos 45 anos, Mariana, finalmente, realizou seu sonho de continuar os estudos e foi na teologia que ela se encontrou.

Recentemente, a musicista autodidata se formou com a turma do curso no Instituto de Formação Cristã (IFC), que forneceu as aulas em MP3 durante 4 anos e 7 meses para que ela pudesse alcançar seu maior desejo, usando um de seus maiores dons: o som.

“Nunca sonhei em ser pastora, mas gosto de poder falar de Jesus para as pessoas desde criança. Eu sempre visitei doentes e acamados e tocava violão para eles. Agora, eu sei bem do que falo. Antes tinham passagens bíblicas que eu não entendia. Além de formar o teólogo, o curso trabalha nosso caráter humano”, comenta Mariana.

Diretora do instituto, a pastora da igreja Manancial de Sião Nida Rodrigues foi uma das responsáveis pela formação, que deu à Mariana o pontapé para voar ainda mais longe.

“As secretárias do curso sentavam com ela nos dias de provas, ela ditava as respostas e elas anotavam. Adaptamos tudo o que pudemos”, conta a pastora.

A aproximação com a Bíblia e, consequentemente, com a fé fez com que Mariana até aumentasse as visitas aos doentes. Agora, além de falar sobre Jesus e cantar para eles, ela pensa em ajudá-los de forma profissional.

“Meu próximo passo, se Deus quiser, será cursar assistência social. Antes, há um desafio: o de aprender a usar os programas de voz do computador. Em Bauru, infelizmente, não há, mas eu sigo com esperanças de conseguir, porque tenho dificuldade com o braile”, detalha.

Esse obstáculo, ela diz vir do seu costume com as letras, já que sua alfabetização foi na escola formal.


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