Da minha vida cuido eu

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e Ele tudo fará” (Salmos 37:5)

Não sei você, mas não é raro encontrarmos, em nosso meio social, comportamentos de pessoas que sempre acham que são as outras pessoas que têm que mudar, ou que têm que fazer algo para que as verdadeiras modificações aconteçam. É muito fácil julgar todas as coisas a partir do outro, ao mesmo tempo em que relutamos em considerar a forma como, nós mesmos, praticamos cada um dos nossos atos cotidianos. E isso acontece comigo também.

Sou administrador por formação e me lembro de que, há alguns anos, parado num semáforo à espera da luz verde, vi que o condutor do veículo à minha frente jogou na rua um pedaço de papel. O que mais me indignou foi o fato de que havia um adesivo no vidro traseiro dando conta de que ali estava um administrador, como eu. Fiquei pensando sobre o que impediu que a formação superior influenciasse a boa educação daquela pessoa.

Disso isso, falemos sobre um dos fatores que podem ajudar a salvar nosso planeta, a diminuição das emissões de carbono. Toda vez que tiramos o nosso carro da garagem, passamos a contribuir para que os níveis de poluição aumentem. Na medida em que reduzimos o uso do nosso veículo, contribuímos para a melhor qualidade do ar.

Manter os automóveis carros em casa não tem a ver apenas com a baixa da propagação de resíduos poluentes, mas também com o volume de tráfego em nossas cidades. Contribui para o declínio dos índices de acidentes no trânsito, além de impactar a retração dos custos pessoais na manutenção do veículo e do consumo de combustível, o que seria muito bom neste momento em que o governo brasileiro aumenta a tributação sobre a gasolina.

Em 2010, o Brasil tinha uma frota de 381 carros para cada 1.000 habitantes. Supondo que hoje esse número esteja na ordem de um veículo para cada dois habitantes, inferimos que temos uma frota total de 105.000 unidades no Brasil. Se cada usuário – daqueles que fazem uso desse tipo de transporte todos os dias – deixasse o seu veículo na garagem um dia por semana, teríamos 300 automóveis a menos, diariamente, circulando pelas ruas das nossas cidades.

E, assim, iríamos, individualmente, fazendo a nossa pequena parte para a melhoria das condições da vida humana no planeta, contribuindo para com esta e para com as futuras gerações. E isso implica que, ao invés de guiarmos, vamo-nos deixando ser guiados. O que, também tem a ver com as nossas condutas sociais e espirituais.

Você se lembra de como começamos este bate-papo? De como vamos achando respostas para os problemas sociais a partir do outro, como se o outro fosse o único responsável pelas mazelas sociais?

Quando nos deixamos guiar, vamos aprendendo a olhar as coisas não propriamente à luz apenas das nossas perspectivas, mas também sob as perspectivas do outro, compreendendo que há pensamentos diferentes dos nossos, que podem ser muito interessantes e bons de serem replicados em nossas próprias práticas cotidianas.

Vejam que não estamos nem tratando do fato de que Deus deseja nos guiar por veredas melhores do que as que temos trilhado, mas de que a interação com nossos pares sociais pode nos ajudar a ter uma compreensão nova acerca de muitas coisas.

Há um pensamento chinês que diz que ‘se eu tenho $10 e você tem $10, quando trocamos entre nós os nossos $10, continuaremos, cada um, com $10; no entanto, se eu tenho 10 ideias e você tem 10 ideias, quando trocamos as nossas ideias, ficamos, ambos, com 20 ideias.

Então, dirigir menos, tanto os nossos veículos quanto as nossas próprias vidas, poderá ser um bom remédio para a construção de uma cultura plena nos aspectos da sustentabilidade ambiental e social [e espiritual].

Nisso pensai!

João Carlos Marins é pastor e especialista no tema responsabilidade social