Vidas renovadas pela fé

Pink Breast Cancer Awareness Ribbon

Doenças terríveis como câncer, tumor, paralisias e aneurismas têm assustado e ceifado vidas de crianças, jovens e adultos a cada ano. Deste 2000, o número de mortes no Brasil por conta de câncer aumentou 31% e chegou a 223,4 mil pessoas por ano no final de 2015, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicadas em 2017.

Se os números relacionados ao câncer assuntam, freqüentemente novas patologias são identificadas e cientistas buscam descobrir novas técnicas cirúrgicas e medicamentosas para os doentes. Em meio à batalha da recuperação, muitos se agarram à fé e têm sido agraciados por Deus com a cura – milagre que a medicina não consegue explicar.

Câncer no pulmão

Alguns casos são surpreendentes, como a luta vivida pelo pastor Roberto Borges, 58 anos, da Igreja Evangélica Comunidade Peniel, em Itapoã, Vila Velha (ES), que com um câncer no pulmão e um tumor na cabeça chegou a ficar cego, não andar, a ter 1% de chances de sobrevivência e passar 10 dias no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) de um hospital com quadro de morte cerebral. Hoje, ainda mais confiante em Deus, ele está curado: anda, enxerga e prega em todos os lugares o seu testemunho de vida afirmando: “Eu sou um milagre de Deus”.

O pastor descobriu que tinha câncer no pulmão em 1982, época em que ele era adepto do ocultismo. A reviravolta na vida dele começou depois que um grupo de mulheres de oração passou a lhe fazer visitas. “Elas praticamente invadiram a minha casa”, brinca, “essas mulheres oravam e choravam diante do meu sofrimento e isso me comoveu muito. Eu estava cego fisicamente, mas, sobretudo, espiritualmente”, acrescenta.

Depois da cirurgia para a retirada do tumor no cérebro, o pastor passou a ter fortes dores no pulmão. Os médicos o mandaram para casa porque a chance de sobrevivência em uma cirurgia seria de 1%. Mesmo assim, a família concordou com o procedimento cirúrgico, que durou 10 horas. Foi retirado metade do pulmão, quatro costelas e feita a raspagem da coluna.

“Quando estava na sala de cirurgia, antes da operação, eu cheguei a me despedir dos parentes e ali mesmo fiz um pacto com o Senhor e orei: ‘Senhor, à Medicina entrego o meu corpo, mas a ti entrego o meu espírito. Se Tu quiseres, serei uma árvore que dará frutos’. Tudo deu certo e depois de receber alta passei a freqüentar a Assembléia de Deus do Ibes. Só que em 2001, alguns meses antes de ser ordenado pastor, tive uma crise convulsiva muito forte. Os médicos disseram que havia acontecido um ressecamente do cérebro e fiquei 10 dias no CTI com morte cerebral, mas a igreja permaneceu orando e depois acordei sem nenhuma seqüela. A médica que me atendia nessa época falava que estava na frente de um morto-vivo”, contou o pastor.

Tumor na bexiga

Relato de milagre como esse pode ser contado também pelo pastor Edmar Soares, que em dezembro de 1992, aos 38 anos, descobriu que tinha um tumor na bexiga. A luta contra a doença se arrastou até 1995, quando médicos o submeteram a uma cirurgia e extraíram o órgão doente. Dez anos depois, em 2005, caroços começaram a aparecer pelo corpo dele, até que foi constatado um linfoma, câncer no sistema linfático. Com o início da quimioterapia, começaram também mais lágrimas, dores e dias de internação.

“Sofria de uma dor incessante nas costas e que descia para a perna, paralisando-a. Fiquei tão angustiado que não queria falar com ninguém. Um médico me receitou um coquetel de injeções e comprimidos, mas nada aliviava minhas dores. Numa tarde, chegou a minha casa um grupo de mulheres de oração para me visitar. Corri para o meu quarto e mandei dizer que não receberia ninguém!. Só que depois de alguns instantes, ouvi uma irmã entrando e dizendo: ‘pastor Edmar, eu vim orar para que Deus tire esta angústia de dentro do irmão’. Hoje estou 100% curado”, relata o pastor.

Câncer de mama

Outro caso surpreendente é da estudante de psicologia Janair Ferrari Garcia, 35 anos, membro da Igreja Evangélica Batista em Linhares. Ela descobriu em março de 2004 que estava com câncer na mama direita. O nódulo era do grau 4 e, com a gravidade da doença, ela passou a se dedicar ainda mais à oração, principalmente durante as madrugadas. Fez seis sessões de quimioterapia e 30 dias de radioterapia.

“No primeiro dia que começaram a cair os meus cabelos, eu chorei muito. Em uma semana estava careca. Meu marido não é convertido e eu o peguei várias vezes chorando. Eu o consolava porque tinha colocado o meu problema nas mãos de Deus. Um dia fui a um culto e o pastor falou que uma mulher com câncer na mama direita seria curada. Ele não sabia nada sobre mim, mas tomei posse dessa bênção. Não aceitei a doença e sim a vitória, a cura. Foi então que Deus começou a restaurar a minha mama. Tive que retirar um quadrante da mama direita e ficou um buraco, mas hoje, sem fazer cirurgia, a direita é igual à esquerda. Quando se passa por uma situação dessa a gente vê a morte de frente, mas eu vi Deus em tudo o que fazia”, declarou Janair.

Infecção hospitalar

O motorista de ônibus Carlos Augusto Rodrigues Pereira, 43 anos, quase teve que amputar o antebraço esquerdo depois de ser atropelado por um carro em junho de 1992. Ele ainda não era temente a Deus, mas em meio a tantas dores por causa de uma infecção hospitalar, suplicou: “Senhor, estou em uma situação terrível, estou na sala de espera do inferno, mas acredito no Seu poder. Tira de mim essa dor”. A oração foi ouvida e a dor sumiu.

“Eu orei com muita fé e acredito que, naquele dia, se eu tivesse pedido a cura, Deus tinha me dado porque a Bíblia diz: ‘Pedis e não recebeis porque pedir mal’. Passei por aquela provação, mas fiquei três anos e oito meses com o braço no gesso. Eu me batizei com o braço engessado. Ao todo, já passei por quatro cirurgias, fiz três enxertos que não deram certo e tive pseudo-artrose, foi quando meu braço necrosou. No final de 1996 pedi a Deus que não me deixasse passar aquele ano do mesmo jeito que os outros. Eu teria que em janeiro fazer uma nova cirurgia, mas não precisei mais porque os ossos, por um milagre, já estavam colados”, relatou ele, que é assembleiano.

Cura de uma doença incurável

A dor vivida por Josiene Reis de Araújo Maia, 27 anos, não foi sentida em seu corpo, mas no sofrimento que via a filha Vitória, de 1 ano e 9 meses, passar. A menina tinha febre e sentia muitas dores, mas somente com 2 anos e 4 meses foi diagnosticada com lúpus, uma doença ainda sem cura, que é crônica, auto-imune e causa inflamações em várias partes do corpo, especialmente na pele, juntas, sangue e rins. Vitória sofria e chegou a perder 5% da função renal.

“Os médicos fizeram uma biópsia na minha filha e enquanto o resultado não vinha me prostrei em oração. Um dia fui até a Assembléia de Deus em Coqueiral de Itaparica, do pastor Mário Souza, que é cego, e quando entrei no templo ele parou a mensagem e disse que alguém que tinha entrado naquela igreja não sabia mais como orar e achava até que um parente estava caminhando para a morte, mas Deus tinha um consolo porque estava restaurando os dois rins dessa pessoa naquela hora. O pastor nem me conhecia e aquela foi a cura que o Senhor deu a minha filha. Quando o resultado da biópsia chegou, eu já sabia: Vitória estava curada. A médica, ao ver a minha filha brincando de um lado para o outro, me perguntou o que tinha acontecido, se eu tinha ido a algum outro médico. E eu respondi: ‘Foi o doutor Jesus que agiu, Ele curou Vitória”, relembrou Josiene.

Desenganado pela medicina

Na vida do pastor Aroldo Augusto Brandão, 55 anos, da Igreja Metodista Wesleyana da Glória, Vila Velha, a doença apareceu durante uma excursão para Foz do Iguaçu. O ano era 1995 e, sem ninguém da família por perto, ele começou a passar mal ao tomar dois comprimidos de ácido acetil salicílico. O fato se agravou e ele nem teve tempo de voltar para casa, em Minas Gerais. Chegou a um hospital paulista onde ficou internado por nove dias, chegando a tomar 62 frascos de sangue. Acreditem, mesmo assim os médicos não descobriam o que Aroldo tinha.

“Quando fui para a cirurgia, para retirar 90% do meu estômago, eu estava com pressão arterial em 7/3. Quando saí da operação ela caiu para 3/1. O pior veio depois, porque peguei três infecções hospitalares. Passei 86 dias no hospital, 38 deles na UTI. Todos achavam que eu ia morrer, tanto é que o hospital liberou uns 40 membros da minha igreja a entrarem no meu quarto na UTI para se despedirem de mim. Um outro grupo já tinha se reunido para ajudar a pagar as despesas do sepultamento”, contou o pastor, que completa:

“Eu estava desenganado pelos médicos, mas Deus foi me restaurando e, enquanto estava lá no hospital, pedi ao Pai que me deixasse ficar por mais um tempo porque tinha ainda muita coisa para fazer aqui no mundo. É difícil entender o que Deus faz, mas sei que para tudo Ele tem um propósito”, garantiu o pastor.

O que a Bíblia diz sobre curas

Jesus curou leprosos, paralíticos, cegos, surdos, epiléticos, pessoas com hemorragias e até ressuscitou mortos. Conforme a Bíblia, em nome dEle outros tantos fizeram milagres, como Paulo e também Pedro, que com o apóstolo João fizeram com que um coxo andasse (At 3:10). Em Mateus 4:23 está descrito que Jesus “percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo”.

O pastor Eldo Rossow, da Igreja Evangélica Batista em Vitória, é responsável pelo Culto da Libertação que acontece todas as sextas-feiras e há cinco anos e atrai cerca de 500 pessoas/dia. Ele destaca que os crentes muitas vezes se lembram apenas do “ide e pregai” ordenado por Cristo, mas têm se esquecido que o Salvador, na mesma ordenança, disse: “E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dando algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados (Mc 16: 17-18)”.

“Nós como Igreja estamos atentos normalmente para o evangelismo e esquecemos que Jesus nos mandou curar. A salvação é pela graça, mas a cura é pela fé. Jesus pregava, expulsava demônios e curava ao mesmo tempo. As multidões iam ouvi-lo para serem também saradas de suas enfermidades. A doença passou a existir como conseqüência da entrada do pecado no mundo e da queda do homem no início da humanidade. Mas Deus tem resgatado vidas da morte física. Em João 11:40, Jesus disse: ‘Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus? A dúvida impede o mover de Deus e por isso não enxergamos o que Ele tem feito a nós e ao nosso redor”, afirmou o pastor Eldo Rossow.

Eldo explica que nos cultos que realiza é tomado o devido cuidado para que a pessoa não haja pela emoção. “É preciso sentir Deus agir e não se deixar levar pela música, pela mensagem, pelos testemunhos”, alertou o pastor.

É isso também que ressalta o escritor C.S. Lewis em seu livro “Milagres, um estudo preliminar”: “Os milagres são possíveis e não existe coisa alguma ridícula nas histórias que declaram terem eles sido operados por Deus. Isto não significa, naturalmente, que somos obrigados a crer em todas as histórias de milagres. Entendo que todas as orações são ouvidas, mas nem todas atendidas. Quando o evento pelo qual você orou ocorre, sua oração sempre contribuiu para ele. Quando o evento oposto ocorre, sua oração não foi ignorada, mas considerada e recusada, para o seu bem final e para o bem de todo o universo”.

O pastor e psicólogo Orlando Antônio Boone, 64 anos, avalia o que C.S. Lewis diz detalhando que o estado emocional da pessoa afeta-se muito quando surge uma enfermidade. “A mente, a vontade e as emoções são essenciais para uma pessoa que quer se restabelecer. Muitos doentes não se curam com remédios porque não sentem vontade, a mente está abalada. Mas de repente pode tomar um copo de água, em nome de Jesus, e ficar sã. Não é a água que é milagrosa, e sim Cristo. A cura divina é evidente nos dias de hoje”, afirmou.

Orlando Boone viveu na pele a experiência de ser curado. Já sofreu três AVCs (Acidente Vascular Cerebral), mas hoje vive normalmente, sem nenhuma seqüela. “O Senhor não dá a doença. Ele é amor e só permite que a pessoa seja tocada por uma enfermidade para que Ele seja glorificado e também para ensinar. Às vezes traz a cura, outras vezes não. Esse é o mistério de Deus. Sempre avalio o período em que Jesus chamou Seus discípulos e convocou entre eles Lucas, que era um médico. Ora, por que isso? Acredito que Cristo curava, mas Lucas estava ali também medicando as pessoas, que iam adorar e buscar solução para suas dificuldades. O grande problema é que atualmente as pessoas estão apenas com o espírito de pedintes: Deus, me dê isso, me dê aquilo”.

O Senhor está disposto a curar, assim como está escrito em Isaías 53:4 – “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças”. Só que a cura não era a primeira tarefa de Jesus Cristo. Ele veio para nos salvar do pecado e nos dar a vida eterna e deixou isso bem claro ao deparar com o paralítico de Cafarnaum (Mt 9:1-8). A multidão que O seguia trouxe o paralítico para ser curado, mas Cristo apenas disse: “Tem ânimo; perdoados são os teus pecados”.

Ao ver a reação do povo, Ele questionou: “Qual é mais fácil? Dizer: perdoados são os teus pecados, ou dizer: levanta-te e anda?”. Em seguida, Jesus mandou o paralítico se levantar e andar. A multidão de fiéis glorificou a Deus. A cura veio por meio da fé, tanto do doente quanto do povo que o levou até o Salvador. É a fé que proporciona, por Cristo, a restauração do corpo e nós, seus servos e seguidores, temos que crer que milagres estão acontecendo todos os dias conforme Ele garantiu e histórias que beiram o limite do inacreditável podem acontecer a nós mesmos.


Dicas de leitura

O poder de Cristo para curar
F.F. Bosworth
Editora Atos

Curai enfermos e expulsai demônios
T.L. Osborn

Creia em milagres, mas confie em Jesus
Adrian Rogers
Editora Eclesia

Cura pela Palavra
Marcelo Aguiar
Editora Betânia

Milagres, um estudo preliminar
C.S. Lewis
Editora Mundo Cristão


Matéria publicada na revista Comunhão em fevereiro de 2008

Aproveite as promoções especiais na Loja da Comunhão!