De comunicador e louco, todo mundo tem um pouco

Atilano Muradas

Um dos maiores erros que os líderes de empresas podem cometer é a má utilização do Departamento de Comunicações (ou da Assessoria de Comunicação, como queiram). Esse setor ainda novo, que gera custos às corporações, vem sendo usado de forma invertida e incorreta.

Trago um exemplo para ilustrar o que acabo de dizer. Quando alguém vai ao médico, jamais chega falando: “Caro doutor, eu estou com tal doença e quero que você me receite tal remédio”. O que normalmente acontece é: o médico examina esse alguém, explica-lhe o problema e, por fim, indica o medicamento que este deve fazer uso. A pessoa confia no diagnóstico médico, porque sabe que esse profissional se dedicou anos a fio estudando doenças, remédios e tratamentos, o que lhe dá autoridade para decidir qual é o melhor caminho para a cura.

Todavia, quando o assunto é comunicação, geralmente, são os líderes das empresas que dizem aos comunicadores o que estes devem fazer. Os assessores de comunicação são chamados apenas para receber orientações do tipo: “Olha, nós estamos com as vendas em baixa; então, vocês devem tomar tal e tal atitude comunicativa”. Esses líderes, na verdade, deveriam dizer: “Caro comunicador, eu estou vendendo pouco e preciso de uma estratégia comunicativa para reverter esse quadro. O que você me sugere?”.

Os líderes de empresas precisam estar cientes de que, tal qual os médicos, os comunicadores também gastaram anos de suas vidas em uma faculdade, estudando e adquirindo experiência na área comunicativa e de marketing, e isso lhes habilita a indicar o melhor veículo a ser utilizado – se TV, rádio, internet, fôlderes –, bem como apontar a melhor estratégia comunicativa – fazer uma campanha, melhorar o produto, mexer nos preços, etc. Infelizmente, o ditado “De médico e louco, todo mundo tem um pouco” – praticamente extinto entre os que confiam nos médicos – parece que ultimamente também tem se aplicado à área da comunicação: “De comunicador e louco, todo mundo tem um pouco”.

Os comunicadores de uma empresa não devem ser os últimos a saber sobre quais rumos a corporação está tomando; devem, ao contrário, ser os primeiros. Aliás, o ideal mesmo seria que esses comunicadores participassem de reuniões decisivas. Assim, eles poderiam “avaliar” como as medidas tomadas podem alcançar a quem é de direito. Um líder pode tomar a decisão mais acertada do mundo, mas se ele a comunica pelos canais errados e de forma inapropriada, correrá o risco de fracassar ou de obter um resultado abaixo do esperado. Por isso, a pergunta que todo líder deve fazer é: “Caro comunicador, qual é a melhor forma de tal decisão atingir o público pretendido?”.

Muitos líderes, portanto, precisam repensar suas atitudes e tomar uma nova postura em relação aos seus Departamentos de Comunicação. Os comunicadores não podem ser vistos como meros “cumpridores da vontade de seus chefes”. Assim como os administradores e os contadores de uma empresa são consultados antes de alguma decisão, os comunicadores também precisam ser ouvidos e chamados a opinar. Corporações, sejam elas públicas, privadas ou religiosas, que entendem esse conceito, caminham a passos largos, comunicando claramente os seus ideais. Quem tem ouvidos, ouça!


Atilano Muradas é jornalista, teólogo, escritor e compositor. Possui oito CDs gravados e quatro livros publicados pelas editoras Betânia, Vida e Muradas. Em 2004, recebeu o Prêmio Areté. Morou por sete anos nos EUA, onde atuou como pastor, jornalista e músico e, atualmente, reside em Belo Horizonte. É pastor na Igreja Batista Getsêmani, de onde viaja para cumprir agendas de apresentações e palestras no Brasil e no exterior.

Site: www.atilanomuradas.com

 

 

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