Como a fé mudou a vida de Vitor Belfort

A fé em Deus e o casamento com a ex-modelo e apresentadora Joana Prado, com quem teve três filhos (Davi, Vitória e Kyara) transformaram o coração de Vitor Belford

O carioca Vitor Belford, apelidado de “O Fenômeno” desde que se tornou o mais jovem campeão na história do UFC, se converteu em 2004, buscando em Cristo a força necessária para suportar a dor pelo desaparecimento da irmã, Priscila.

Desde que surgiram, na primeira metade da década de 90, os campeonatos de Mixed Martial Arts – MMA (Artes Marciais Mistas), também conhecidos por Vale-tudo, na época, chamaram imensa atenção de fãs de lutas em todo o mundo. Hoje um esporte que movimenta grandes cifras, o MMA tem no Ultimate Fighting Championship (UFC) a maior organização do mundo. E poucos lutadores são tão conhecidos quanto Vitor Belfort.

Respeitado dentro do octógono como um grande atleta e fora dele como divulgador da mudança que só Cristo é capaz de fazer, o lutador lançou recentemente, pela editora Thomas Nelson Brasil, o livro “Vitor Belfort – Lições de garra, fé e sucesso” com valores e ensinamentos a partir de histórias que viveu. Conheça agora o lado cristão deste que é considerado um dos maiores lutadores surgidos no esporte. -+

O MMA é tido como esporte violento e muito agressivo. Como ser cristão lutando?
Não se pode confundir luta com briga. Briga é que está sempre associada à violência, à agressão. A luta é praticada como esporte há séculos. É claro que, como todo esporte de contato físico, oferece riscos. No futebol, no rúgbi, no boxe, no hóquei, em todos esses esportes de contato as pessoas podem sofrer contusões. Mas hoje em dia, todas as modalidades de luta, inclusive o MMA, são cercadas de regras e medidas de segurança. Outra coisa importante: no MMA há consenso. Quem entra no octógono sabe que a rivalidade tem de ficar só ali dentro. Há respeito pela vida, pela integridade do adversário. Por isso você vê lutadores que até passam dos 40 anos de idade em atividade, coisa rara em outros esportes.

Como é o Vitor Belfort cristão? Ora todos os dias? Vai a igreja todos os domingos?Sinto que os cristãos brasileiros fazem uma cobrança muito grande sobre isso. E alguns ainda se aproveitam quando uma pessoa conhecida fala que freqüenta “tal” igreja ou denominação para fazer propaganda. O que posso garantir é que tenho minha vida de comunhão com Deus e recebo ministração sadia.

Você ora antes de entrar no octógono? Tem o costume de agradecer quando vence?
No meu caminho do vestiário até o octógono vou orando e falando em línguas. A música com a qual entro tem de fundo uma oração. Entro focado. E agradeço tudo a Deus. Sou um homem abençoado em poder ter esse relacionamento com o Altíssimo. Para mim, Deus é tudo. Acredito que sem Ele não somos nada na vida.

Como foi a sua conversão?
Eu me aproximei de Deus através da dor. Em um momento difícil da minha vida, comecei a ler a Bíblia e ter um relacionamento com meu Salvador. Graças a esse relacionamento, consegui superar feridas e perdoar. É claro que todas essas coisas deixam marcas na vida da gente, mas Deus usa essas marcas para mostrar o poder que tem para curá-las.

Como você via sua vida antes e como a vê agora, depois da conversão?
Quando decidi entregar todas as áreas da minha vida ao Senhor, passei a entender melhor diversas situações que antigamente não compreendia. Quando oramos e perguntamos a Deus qual a vontade dele para a nossa vida, passamos a tomar a decisão correta. Com Jesus tudo fica muito mais fácil!

Você é casado com Joana Prado, que fez carreira como artista. Hoje ela é esposa, mãe, uma mulher que não oculta os valores da fé. Como é a família Belfort convertida?
Como todas as famílias que têm um compromisso com Jesus. A única diferença é que temos alguma presença na mídia, mas isso não muda em nada nosso desejo de servir a Deus, ensinar a nossos filhos que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, que a Bíblia é a Palavra de Deus, que somos chamados para amar o próximo. Não seria problema nenhum se a Joana voltasse a trabalhar na televisão, isso não mudaria os valores dela. Com certeza, ela recusaria trabalhos que não estivessem de acordo com o que ela acredita, mas a conversão não significa negar seu talento.

Um dos elementos principais de seu livro, como indica o título, é a fé. Fé em Jesus, que se tornou um combustível para seguir sempre adiante. Como e quando você passou a enxergar isso em sua vida?
Sem a fé não somos nada. Nossa fé cura, nos salva. Enxergo e aprendo isso todos os dias. É uma coisa que se manifesta em toda área da vida ― quando estou em casa, com minha família; quando treino na academia; quando sento para falar de projetos; e, é claro, quando estou no octógono. E sempre que tenho oportunidade, falo dessa fé porque tenho certeza de que é o melhor para qualquer pessoa. Enquanto eu puder, quero dar o testemunho de minha fé.

Você escreve poesia desde os 13 anos. Se considera uma pessoa sensível?
Todos somos sensíveis, só que nem todos têm coragem de mostrar seus sentimentos. Eu decidi fazer isso porque não me envergonho de nada do que sinto. Sou um cara que ama, que se frustra quando uma coisa não dá certo, que chora quando se emociona, que ri quando está se divertindo com a família ou os amigos. Prefiro ser o que sou do que viver interpretando um personagem o tempo todo.

Por que falar em um livro abertamente, pela primeira vez, sobre alguns pontos delicados de seus 35 anos de vida? Como você tomou essa decisão?
O intuito desde o início de fazer o livro era de, através da minha história, ajudar muitas vidas. E estou feliz porque isso já está acontecendo. Acredito que muita gente passa por experiências parecidas com as minhas, mas falta a elas uma orientação, um exemplo de superação. Não estou dizendo que tudo o que passei é necessário para alguém encontrar paz de espírito e felicidade, mas se o fato de eu abrir meu coração pode fazer alguma diferença e ajudar alguém, não vou deixar de fazer.

Em um capítulo do livro você conta o problema que enfrentou com o desaparecimento da sua irmã, em 2004, e diz que essa ferida já cicatrizou em você. Como trabalhou para fechar a ferida do desaparecimento da sua irmã?
Através da minha fé e do meu relacionamento com Jesus Cristo. Não há outra maneira. É claro que a dor é imensa, mas foi Jesus quem me capacitou não só a conviver com essa ferida, como também a perdoar quem possa ter sido responsável pelo desaparecimento de minha irmã. Muita gente pode até achar que falo da boca para fora, mas é a pura verdade.

O que você diria para as pessoas que sofrem hoje com o desaparecimento de um ente querido, que até hoje não foi totalmente esclarecido?
Temos de ter a certeza de que Deus esta no controle da situação e de que tudo o que ele faz prospera para o bem daqueles que o amam. Isso é fé.

Antigamente o MMA não era dividido por pesos, o que fez você enfrentar adversários bem maiores e que hoje acima da sua categoria. A despeito dos obstáculos, fatores como força de vontade, fé e muito treino são suficientes para superar tudo?
Precisamos ser determinados em vencer na vida, mas sem infringir nossos valores. Falo sempre que vivo uma vida de princípios. É esta a mensagem que passo e ensino para meus filhos. Se você tem princípios sólidos, não existe dificuldade que não consiga superar.

A concentração exigida dentro do octógono é grande, já que você precisa se concentrar o tempo todo para superar seu adversário e vencer a luta. O Vitor Belfort também age dessa forma fora do octógono?
Concentração total para conseguir resolver os problemas da vida?Determinação, dedicação, superação diária… esta é a vida de todos nós, brasileiros. Somos todos lutadores. Quem perde o foco em qualquer área da vida corre o risco de sair derrotado. Não é fácil dizer isso para um povo sofrido como o nosso, principalmente aquelas pessoas que lutam todo dia pela sobrevivência, pela comida, pelo mínimo de dignidade. Mas é muito legal ver que o brasileiro, apesar disso, é um povo de muita garra e capacidade de superação.

O veremos enfrentar novamente o Anderson Silva, em busca do cinturão? O que você tem feito além dos treinos para vencer?
Não sei se será o Anderson. Meu objetivo é ter o cinturão, não uma revanche com o Anderson, não é nada pessoal. Não estou atrás dele, estou atrás do cinturão, e continuo treinando diariamente para alcançar essa meta. A vitória sobre o Michael Bisping, que é um grande lutador, mostrou que estou em forma e muito concentrado em meus treinamentos.

Durante o The Ultimate Fighter Brasil você enfrentou a equipe do Wanderley Silva. E lá houve algumas desavenças entre vocês. Como você tratou isso como cristão?
Continuando com meus valores e princípios, independentemente da situação. Mostrando o que é ser cristão com as minhas atitudes em situações difíceis.

O fato de você ter conversado com o Carlson Gracie antes de ele descobrir o câncer e chegar a falecer deu um alívio? Sentimento de dever cumprido, como um verdadeiro cristão?
Como uma pessoa que pensa no próximo, jamais deixaria de conversar com alguém que foi tão importante em minha vida em um momento tão difícil da vida dele. Se todo mundo passasse a viver com mais compaixão, muitas feridas seriam cicatrizadas. Não é fácil perdoar ou pedir perdão, mas quando isso acontece, é um alívio para todo mundo envolvido.

Tem alguma passagem na Palavra que tem significado especial na sua vida ou carreira?
Existem várias, mas a minha preferida é Josué 1:7 “Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem- sucedido por onde quer que andar.”


A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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