Como voltar ao Primeiro Amor?

É preciso viver, seguir e morrer com Cristo.


Por: Andreza Lopez e Priscilla Cerqueira 

“Quero voltar ao início de tudo. Quero rever meus conceitos, valores, reconstruir… Eu me arrependo, Senhor… Quero voltar ao primeiro amor: a Deus.” O trecho da música bastante conhecida e cantada nas igrejas evangélicas de todo o país traz uma mensagem que se ouve com frequência entre os crentes, “o primeiro amor”, que se esfriou.

São pessoas, até mesmo líderes ministeriais, que se converteram, mas se afastaram dos caminhos do Senhor. Há também quem esteja frequentando a Igreja, porém a “chama” do primeiro amor já não arde mais em seu peito.

A caminhada cristã é uma decisão de vida desafiadora. E como seres humanos, somos passíveis a desanimar com nossos próprios erros e nos decepcionar com a falha dos outros. “Esse desânimo, para nosso espanto, está cada vez mais frequente”, aponta o pastor e master coach Tiago Brunet (confira a entrevista especial na página 10 desta edição).

O primeiro amor é submissão, é sacrificial, é fervoroso, é desejoso de estar junto. “Deus ordena para que possamos prevalecer em amor, mas as pessoas não querem o bem-estar do outro e não vivem como Ele pede”, enfatiza o pastor Pedro Sílvio Santos, da Igreja Apostólica Ebenezer de Barra Velha, Santa Catarina.

Apocalipse 2:5 diz: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal se não te arrependeres”. Nesse texto, Jesus fala da decadência do amor que a Igreja asiática vinha apresentando e seu protesto é pela perda do “primeiro amor”, sendo reveladas ao apóstolo João quando ele estava na Ilha de Patmos.

O texto bíblico mostra que a ruptura no relacionamento com Cristo não é recente. Considerando os tempos difíceis pelos quais estamos passando, tem crescido a tendência a desanimar, ainda que crendo, pela sensação de não ter forças para permanecer seguindo para o Alvo com o mesmo fervor. E o que temos visto são pessoas se afastando de Deus, ainda que tentando servi-lO, precisando de um renovo, de um resgate da sede com a qual iniciou a caminhada com Jesus.

Esse rompimento, segundo o pastor Pedro, é pela falta de arrependimento e pelo fato de o amor, o norteador da vida humana, estar se esfriando. “O orgulho não deixa a humildade de Cristo entrar em nós e o Espírito Santo trabalhar para que haja conversão genuína e que volte o amor que Deus plantou no nosso coração. É preciso viver o amor incondicional de Deus.”

Pr-Pedro
“Aceitando a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, reconhecendo que somente Ele é Deus e não há outro, somos separados para viver uma vida de arrependimento mediante as situações, passamos a entender por que aqui estamos e deixamos de achar que vivemos pelo acaso” – Pedro Silvio Santos da Fonseca, pastor da Igreja Apostólica Ebenezer de Barra Velha (SC)

O primeiro amor é como fogo: se colocar lenha, mais inflamado fica. Mas, se lançar água, se apaga. Em uma de suas reflexões, através do Ministério Orvalho que coordena, o pastor Luciano Subirá enfatiza que “falhamos por não alimentarmos o fogo e por permitirmos que outras coisas o apague”.

O relacionamento precisa ser “alimentado” a fim de não definhar. É como em uma relação entre um casal; homem e mulher precisam se respeitar, fazer juras de amor. Em uma relação empregatícia, são necessários empenho, pontualidade e compromisso. A mesma coisa é entre Deus e o homem.

Além disso a comunhão, a singeleza e a sinceridade têm se perdido entre os crentes. “Esses valores são essenciais na caminhada cristã. Falta também a paz, porque sem isso fica difícil resgatar o amor. E se nós, cristãos, fôssemos mais unidos, estaríamos mais fortes e não haveria tantas divisões e afastamentos dentro da Igreja como hoje. Precisamos viver, seguir e morrer com Cristo; e no meio do problema, procurar ajuda de Deus, que sabe resolver”, explicou o pastor Pedro.

Motivos do afastamento

Mas o que leva o amor do crente pelo Senhor a perder sua intensidade? O primeiro fator de esfriamento é o convívio com o pecado, que distancia o homem de Deus. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

O segundo é a falta de profundidade. É preciso conhecer a Deus e entender a Sua vontade através do convívio da Palavra. “Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e afundados em amor, poderdes compreender, com todos os santos, qual seja a largura e o comprimento, a altura, e a profundidade. E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:17-19).

“Para ser um cristão verdadeiro e fiel, é preciso abdicar de tudo o que for pecado e que atrapalhe o homem de ter uma vida plena com Deus. Leitura bíblica e oração são fundamentais nessa vitória” –  Claudevan Pereira Soares, pastor da igreja Assembleia de Deus Tabernáculo (AL)

Outros fatores que interferem são a falta de tratamento e as distrações. O crente não está isento de passar por aflições, mas para isso é preciso focar atenção em Cristo. “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14).

Convertido desde os 13 anos, o militar Francisco Eduardo Cavalcante Costa, hoje com 30, da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro, passou por momentos complicados. Ainda antes de se casar, com 21, sofreu abuso e depois, já na vida conjugal, enfrentou dificuldades financeiras.

Afastou-se dos caminhos de Deus por um ano, e nesse período sofreu um acidente que quase o deixou sem vida, cometeu um adultério, deixou os compromissos da Igreja e da família para viver fora dos princípios.

“Os prazeres da carne e do dinheiro tomaram lugares importantes na minha vida. E me corrompi, vivi no pecado e abandonei minha família. Cheguei a pensar no suicídio. Ficar longe de Deus foram os dias mais escuros e tenebrosos. Eu não encontrava saída para os problemas. Entrei em confusão mental. Fiquei irreconhecível e mudei completamente minhas atitudes”, conta.

Muitos estão se afastando da instituição Igreja por conta da perda do foco.
Tirar os olhos de Deus faz com que os crentes passem a mirar pessoas e líderes.
É aí que surgem os enganos. “Eu me decepcionei na igreja, estava frustrado com meus líderes, que não supriam a minha carência, e acabei me afastando”, diz Francisco.

“É preciso olhar para Cristo”, exortou o Pr. Pedro, que acrescentou que essa situação acontece também porque os líderes em todas as esferas estão despreparados e se esfriaram no amor.

“Quando o homem aceita a Cristo como Senhor e há uma conversão sincera, começa a trilhar os caminhos da fé. Nos primeiros anos, ele deseja orar, ir aos cultos, quer falar com Deus e crescer espiritualmente. Mas precisa ser discipulado para entender o que é ser um filho de Deus. Esse é o papel da Igreja”, pondera.

“Uma forma de reverter isso é buscar novos métodos ou outra maneira de evangelismo para alcançar essas pessoas que estão em casa, como a internet”, orientou o pastor José Roberto dos Santos Clemente, da Assembleia de Deus Ministério Amor Palavra e Poder, do Rio de Janeiro.

É possível restaurar o relacionamento com Deus. O primeiro passo para voltar ao primeiro amor, segundo o pastor Tiago, é o arrependimento “porque o céu não é para pessoas boas, e sim para pessoas perdoadas”.

“É preciso lembrar por que você quis Jesus pela primeira vez e de onde Ele o tirou. Na caminhada cristã, ninguém está suficientemente preparado a ponto de não precisar de cuidados. Como o apóstolo Paulo disse, o leite serve para os bebês na fé e a comida sólida, para os maduros ou crescidos. Porém, todos devem se alimentar.
A comida pode ser diferente, mas o cuidado é o mesmo”, afirma.

“O que nós fazemos independentemente do que seja, para ter uma vida com Ele e honrar o que Jesus Cristo fez por nós, vale a pena. O que vamos ganhar com a nossa abnegação será algo de valor incalculável, a aprovação de Deus” – José Roberto dos Santos Clemente, pastor da Assembleia de Deus Ministério Amor Palavra e Poder, do Rio de Janeiro
Novo convertido

O amor é um fogo de grande intensidade, que coloca Jesus acima de tudo. Isso foi bem exemplificado numa parábola de Cristo: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo” (Mateus 13:44).

O Senhor está falando de alguém que, além de transbordar de alegria por ter encontrado o Reino de Deus, se dispõe a abrir mão de tudo o que tem para desfrutar do seu achado. Essas características são evidentes na vida de quem teve um encontro real com Jesus.

“Aceitando a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, reconhecendo que somente Ele é Deus e não há outro, somos separados para viver uma vida de arrependimento mediante as situações, passamos a entender por que aqui estamos e deixamos de achar que vivemos pelo acaso”, reflete o pastor Pedro.

O recém-convertido nasce de novo

“Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17)”. “Passamos a viver debaixo das orientações do Senhor, tomamos posse da bênção, acreditamos que Deus é justo, puro e verdadeiro e que não é homem para que minta e por isso passamos a viver na total obediência de Deus”, destacou o líder ministerial.

Há dois anos, o borracheiro Carlos Mayese entendeu a verdade do Evangelho. Com um casamento destruído, com a vida desmoronada e cheia de solidão, ele conheceu a Cristo, e o Reino de Deus passou a ser prioridade absoluta em sua vida. Ao entender que Jesus liberta, cura e restaura, teve a vida transformada. Ele e toda a família congregam na Igreja Metodista Espírito e Vida, de Campo Limpo Paulista (SP).

“Entendi que Deus nos quer do jeito que estávamos. Eu aceitei que a verdade é o Evangelho e através do amor de Deus conheci a comunhão, o perdão e o amor ao próximo. Quero que as pessoas vejam Cristo em mim. Hoje eu sou uma pessoa melhor, mais feliz, e virei referência na minha família e no meu trabalho”, comemora Mayese.

Viver na Palavra

Amar a Deus de todo o coração, com todas as forças e entendimento, é o que faz o homem viver intensamente a fé. Foi assim desde o início da era cristã.

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo” (Atos 2:41-47).

A motivação do crente em suas atitudes deve ser a consciência do feito da cruz, já que Cristo nela morreu para que pudéssemos ser salvos. Qualquer outra motivação é pura religião e afrontosa ao Eterno.

E se a motivação é o feito da cruz, é preciso viver com integridade, destaca o pastor Claudevan Pereira Soares, da igreja Assembleia de Deus Tabernáculo, de Olho D’Água das Flores, em Alagoas. Para ser um cristão verdadeiro e fiel, é preciso abdicar de tudo o que for pecado e que atrapalhe o homem de ter uma vida plena com Deus. “Quando isso acontece, a pessoa passa a reproduzir padrões divinos. Mas não são poucas as tentações diárias. E elas tendem a aumentar cada vez mais com a proximidade da volta de Cristo. Por isso que o melhor lugar do mundo é aos pés do Salvador. Leitura bíblica e oração são fundamentais nessa vitória.”

Uma lição que é repetida pelo pastor Pedro Silva. “Quando o Criador se fez humano para viver entre uma humanidade que não merecia nada, Ele estava exatamente abrindo mão de Sua glória celestial para se tornar como um de nós, por amor a nós. Então, o que nós fazemos, independentemente do que seja, para ter uma vida com Ele e honrar o que Jesus Cristo fez por nós, vale a pena. O que vamos ganhar com a nossa abnegação será algo de valor incalculável, a aprovação de Deus”, encoraja.

“Eu não tenho dúvida de que voltar para Deus foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Hoje eu vivo feliz” – Francisco Eduardo Cavalcanti, militar

Na sociedade, pôr o outro em primeiro lugar é visto como fraqueza, tolice, para não dizer burrice. Mas no Evangelho, não. “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me: se tentar se apegar à sua vida, a perderá. Mas, se abrir mão de sua vida por minha causa, a encontrará” (Mateus 16:24-25).

A essência do Evangelho é o amor, e Jesus Cristo é o maior exemplo. Sua vida foi um legado movidoo por esse sentimento. Ele curou os enfermos, ergueu os debilitados e salvou os pecadores. A multidão enraivecida tirou-lhe a vida. Mas da colina do Gólgota ressoam estas palavras: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Foi a maior expressão de compaixão e amor proferida na mortalidade.

E foi movido por esse amor que o militar Francisco Costa reencontrou o sentido da vida. “Eu não tenho dúvida de que voltar para Deus foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Hoje vivo feliz.”

Depois do arrependimento, o perdão. “Sentia necessidade de me converter realmente, expor publicamente o meu pecado. Reconheci o quanto fui pecador, falho e soberbo pelo que Deus tinha me dado. Quando tive um encontro real com Ele, tive todos os sonhos de volta. O amor do Pai me transformou, me sinto muito amado, porque entendi que fui perdoado”, conta.


CONFIRA A MATÉRIA EM ÁUDIO


Leia mais

Igreja de MG faz campanha para espalhar o amor
Maurício Zágari fala sobre amor, perdão e eleição
O amor pelos refugiados

Aproveite as promoções especiais na Loja da Comunhão!