Cláudio Duarte: bom humor que edifica

“Se você souber se expressar, falar o que você está sentindo, fazer as suas reivindicações de forma correta, será bem sucedido”

O bom humor é uma das principais características do pastor Cláudio Duarte. É com esse ingrediente especial que ele percorre o país ajudando a fortalecer relacionamentos familiares. Membro da Igreja Batista Monte Horebe, em Campo Grande (RJ), o pastor firmou uma parceria com a Missão Praia da Costa, em Vila Velha, e mensalmente visitará o Estado ministrando palavras de otimismo e fé. O carioca Cláudio Duarte, casado com Jane Mary e pai de Caio e Filipe, conversou com a Revista Comunhão sobre sua visão de família, ministério, relação entre homens e mulheres e estratégias de divulgação da Palavra de Deus.

Em que momento aceitou Jesus Cristo?
Não cresci em um lar cristão. Meu pai hoje é membro da Assembleia de Deus, mas tive pouca influência religiosa na família. Foi há 22 anos em um culto de segunda-feira. Naquela noite conheci Jesus e, ao mesmo tempo, minha esposa se reconciliou com Ele.

E a vocação pastoral?
Foi de forma gradativa, não planejada. Recebi um convite para trabalhar em uma congregação com jovens. Foi uma escola, entrei sem saber nada e fui apreendendo, crescendo. Passei pelas funções de professor da Escola Bíblica, obreiro, diácono, presbítero, vice-presidente da igreja e me tornei pastor. Fui consagrado pela Igreja Batista em Campo Grande, liderada pelo pastor Paulo Roberto.

Como surgiu a ideia de realizar palestras focadas nas famílias?
Não foi ideia minha e sim de Deus. Eu não tinha pretensão nenhuma de fazer isso. Surgiu uma oportunidade em um evento que ia acontecer na igreja. O preletor não foi e acabei ministrando. Eu já tinha esse jeito irreverente por trabalhar com a juventude e agradei.
Comecei a comprar livros, ouvir palestras e tudo foi acontecendo. Tive a vantagem de chegar junto com a explosão da internet e do sucesso do stand-up comedy (espetáculo realizado por apenas um comediante, que se apresenta em pé). Tudo isso ajudou na minha projeção. Podemos dizer que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que servem a Deus (risos).

Quando o assunto é aconselhamento matrimonial, quais são as queixas mais comuns de homens e mulheres?
As queixas são as mais variadas possíveis: há quem brigue por causa de um copo, de uma cueca, uma tolha fora do lugar, um adultério, por uma nota baixa do filho, da chegada inesperada da sogra, por falta de sexo, por não ter reparado no corte do cabelo da mulher… Mas em relação ao homem, o que mais ouço das mulheres é que ele é desleixado demais e só presta atenção naquilo que lhe convém. Já a grande reclamação masculina ainda é o sexo, a dificuldade de se relacionar: a maioria das vezes que o cara procura a dona, ela está offline.

Como eles podem chegar a um meio termo nessas questões?
Com a comunicação. Se você souber se expressar, falar o que você está sentindo, fazer as suas reivindicações de forma correta, será bem sucedido. A Bíblia diz que se você pede mal, acaba não recebendo.

A igreja está preparada para lidar com esses temas ou certos assuntos seguem como tabu?
Vejo pessoas e igrejas preparadas sim. Hoje nós temos acesso a tudo, só não tem informação que não quer. Só que existem assuntos delicados, que alguns escolhem não mexer. Não por incapacidade, mas por uma opção. Mas ainda existem tabus: dinheiro, por exemplo, é um assunto que a família brasileira enfrenta. Sinceramente, está na hora de ensinar a criança a administrar dinheiro. Temos países que já trabalham a educação financeira desde a infância. Também é preciso falar de sexualidade de uma maneira mais madura, claro, sempre respeitando a idade para quem se fala. Mas já tratar de uma forma sóbria. Falar de prevenção para quem optar em não seguir a santidade e explicar os motivos para segui-la.

As igrejas estão mais preocupadas em formar lideranças na área de família?
Quando o assunto é família, temos igrejas fazendo trabalho bem sério quando se fala em oferecer formação. Temos a Universidade da Família, cursos como o “Casados para Sempre”, “Homem ao Máximo”, “Mulher Única”, “Criando os Filhos a Maneira de Deus”. Material para tudo isso já existe e de fácil aquisição. A igreja pode enviar líderes para fazer curso em São Paulo ou trazer alguém de lá e implantar na igreja.

Quando o assunto é criação dos filhos, você sente que os pais têm dificuldade em adotar uma postura mais rígida atualmente?
Isso é muito comum por conta do excesso de atividade. O pai fica às vezes muito ausente e, para compensar isso, quando está presente oferece um pouco mais de liberdade ao filho. É uma espécie de justificativa: já que ele não estava ali no momento que precisava corrigir, acaba não sendo tão austero na hora em que o problema acontece. Eu vejo muito essa compensação. E isso é muito prejudicial aos filhos.

Você acha que até por essa ausência o pai contemporâneo tem mais dificuldade para dizer “não” que em nas gerações anteriores?
Ele tem mais dificuldade sim. Primeiro, pela compensação. E segundo, que hoje, grande parte dos filhos entende esses “direitos” como uma forma de amor. Então, o pai atualmente pode pensar que falar “não” para um filho quer dizer “eu não te amo”. O que não é verdade. Antigamente, o filho entendia que o pai dizia “não” pelo bem dele. Hoje, se o menino não receber um telefone celular do pai ou da mãe, já fala logo “Ah, você não me ama!” E isso é uma coisa muito séria.

O seu jeito de unir ensinamentos bíblicos e bom humor para falar da realidade das famílias brasileiras e dar dicas de conduta o levaram a inúmeros programas. Se bem utilizado, você acha que o humor pode ser uma estratégia de evangelização?
Com certeza. O humor é um anestésico, muito bom para se mexer em algo que as pessoas não querem que se mexa. Você fala uma coisa de uma forma bem humorada, a pessoa ouve o que não queria, ri de si mesma e ainda vai embora achando que você um cara sensacional, que a fez ouvir e assimilar algo que ela não estava com vontade (risos). Eu tento trabalhar o humor de forma anestésica. Tudo fica mais fácil quando nos divertimos.

Como vê o casamento e a instituição família no Brasil de hoje?
Eu vejo com bons olhos. Ainda temos um posicionamento familiar, em relação a outros países, bem estruturado. Eu tenho visto, é verdade, a família brasileira sob uma ameaça grande de degradação. A forma com que os conceitos estão se perdendo e se pervertendo preocupam. Existe direito de lá para cá, mas não o dever daqui para lá. Mas no geral, a ideia de família está em alta. Até que não deveria casar está querendo (risos)! Então, o casamento ainda é uma instituição bem sucedida.

Tendo experiência com todos os tipos de público, você acredita que mesmo os casais não cristãos acabam percebendo que ao seguir o que determina a Palavra, o relacionamento ganha em qualidade?
Claro. Por esses dias, em uma entrevista, me perguntaram se era formado em terapia familiar. Eu respondi que não e a pessoa então indagou se eu não achava perigoso dar conselhos sem ter formação para isso. Eu respondi que acho, mas no dia em que receber a informação de que um conselho que dei acabou com um casamento, estará na hora de rever meus valores. Todos os conselhos que dei até aqui, baseados na Bíblia, sempre ajudaram as pessoas em seus relacionamentos.

Outra ação sua que tem feito sucesso é o canal de vídeos na internet. Como percebe essa nova ferramenta na divulgação da Palavra de Deus?
Essa experiência tem sido bem legal. Sou avesso a muitas dessas modernidades, mas esse canal me surpreendeu. Em menos de oito meses, chegamos a 1,5 milhão de curtidas. Recebo muitas críticas, tem muita gente que vai lá, seja para elogiar ou para reclamar. Eu aprendi que não devemos nos abalar com críticas. Muitas vezes quem critica, falando que a gente deveria fazer algo diferente, não faz coisa alguma. Vou fazendo a minha parte, e até agora se mostrou uma grande ferramenta.

Como vê a importância da Bíblia do ponto de vista ético e moral nas escolhas feitas pelo cristão?
A Bíblia é a base de tudo. Não há um único conselho bíblico prejudicial ao homem. E nenhum que a Bíblia diz para o homem não fazer que é bom para ele. Se a Bíblia fosse mais vivenciada, se as pessoas buscassem sempre os valores bíblicos para pautarem suas decisões, o mundo estaria muito melhor.

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