Chega! Não aguento mais!!!

Confesso que sempre fui um entusiasta da Lava Jato desde o seu princípio; sempre procurava ver e ler tudo que era divulgado.

Não era um “lavajatocólatra”, mas cheguei perto. Queria sempre estar atualizado com as ações do Moro e de seu time procuradores. Mas, de um tempo pra cá, meu entusiasmo foi caindo, caindo… Na verdade eu até fiquei um pouco preocupado e me perguntava por que todo esse meu desinteresse por algo tão importante para a vida do nosso país? Cheguei à conclusão que minha apatia cresceu por constatar que o Moro está cavando areia na praia. Quanto mais você tira, mais aparece. Há tantos corruptos, no Executivo, no Legislativo e até no Judiciário (o TSE confirma a regra), envolvidos com as maracutaias que, se tivéssemos 100 Sérgios Moros trabalhando 24 horas por dia, levaríamos os próximos mil anos para prender 10% deles.

Ironias à parte, fica a questão: deveríamos esperar algo diferente? É claro que não. A Lava Jato não terminará nunca. A corrupção no Brasil é uma doença crônica, ou uma pandemia, e foi mais ou menos isso que Deus percebeu logo no início da criação. Depois do dilúvio, os homens tornaram-se maus rapidinho e resolveram construir uma torre. Deus resolveu dar uma olhada e… qual não foi Sua surpresa ao constatar que “agora não haverá restrição para tudo que intentarem fazer” (Gn 11:6).

Pedro alerta que somos escravos da corrupção (II Pe 2:19). Conforta-nos saber que o mesmo apóstolo nos garante que as preciosas promessas a nós doadas nos livraram da “corrupção das paixões que há no mundo” (II Pe 1:4). Então, resta-nos fazer de tudo para viver no presente século sensata, justa e piedosamente (Tt 2:12).

VAI SAFADÃO, ME EXPLICA!

Apenas recentemente fiquei sabendo que o cearense Wesley Oliveira da Silva, mais conhecido como Wesley Safadão, frequenta a Igreja Evangélica Videira, em Fortaleza. Obviamente fui procurar na internet alguma informação sobre essa comunidade e me deparei com duas frases que me chamaram atenção.
– Nossa meta não é “pregar” Jesus, mas permitir que as pessoas O vejam através do nosso relacionamento sincero.
– O chamado para criar a Videira surgiu do desejo de trazer uma proposta nova de igreja, e é essa forma prática, viva e real de viver o Evangelho que torna a Videira tão diferente.

Olhando a forma prática, viva e real de viver o Evangelho de Safadão, me expliquem, Costa Neto e Nenen (está assim no site), como entender as palavras de Paulo, pedindo para não nos “conformar” com o mundo, mas transformá-lo? Ou na explicação à igreja de Filipos de que deveríamos tomar a forma de Cristo na Sua morte (Fl 3:10)? Ou que antigamente andávamos segundo a maneira deste mundo, que ainda atua nos filhos da desobediência, mas pela graça fomos salvos e agora estamos assentados nos lugares celestiais (Ef 2)? Então, se a meta não é pregar sobre Jesus, estou sendo muito exigente ou a Videira realmente é “tão diferente”?

JUGO DESIGUAL

Vou aproveitar mais uma pergunta feita por um jovem da igreja para tratar de um assunto importante no meio cristão. Em sua segunda carta aos Coríntios (II Co 6:14 ss), o apóstolo Paulo pede àqueles irmãos que não se colocassem em jugo desigual com os incrédulos. Então, questionou o moço, não podemos fazer nada ao lado de um não cristão? Negócios, casamento, lazer…

Não é isso que Paulo diz. Ele fala claramente que, quando a opção é nossa (não vos ponhais), quando a decisão está em nossa mão, devemos realmente evitar nos associar com aqueles que não têm o mesmo propósito de vida do nosso.

Não é uma proibição ou uma ordem, mas um alerta, um aviso de quem é amigo, uma ajuda que poderá livrá-lo de muitas situações complicadas à frente. É por isso que Paulo continua no texto apresentando vários argumentos, querendo lhe mostrar que ele tem razão. Se nenhum desses argumentos o convence, ele apela no versículo 18 quando diz que somos filhos e filhas de Deus, que como um Pai quer o melhor para nós. Um “não” hoje pode ser a alegria do resto da vida.