Azeite da meia-noite!

Há alguns anos, nossa igreja promove um programa evangelístico chamado “Consolo para os que Choram”, realizado sempre no dia 2 de novembro nos cemitérios da Grande Vitória. Entre as atividades desenvolvidas estão a medição de pressão, a assistência social e, se a pessoa quiser, um atendimento espiritual com o pastor a partir de um encaminhamento. Nestes sete anos, posso dizer que já atendemos gente de todos os tipos, mas o que mais me assustou (já que Finados é um feriado eminentemente católico) é o aumento de evangélicos no cemitério nesse dia. Não quero discutir a morte do ponto de vista bíblico, até porque isso é muito claro, mas sim o sincretismo teológico existente nas igrejas evangélicas. Só para ilustrar, uma pessoa que atendi me disse que, apesar de ter se convertido há mais de uma década, todo ano ela vai “rezar” pela família que está ali. Depois, consertou dizendo que vai “orar”, porque não reza mais. Minha sensação naquele instante é que, pela primeira vez na vida, eu estava evangelizando evangélicos. Quanto mais se aproxima a volta de Cristo, mais está faltando “azeite” nas igrejas. Jesus disse que, na aparência, as 10 virgens eram todas iguais, e que a diferença só foi percebida quando o noivo estava chegando: cinco não tinham azeite para as suas lâmpadas. E lâmpadas sem azeite não entram na festa. Pior, não deixe para aprumar sua vida na última hora, porque não existe o “azeite da meia-noite”

FRACASSO & SUCESSO
Recentemente li um artigo de Julie LythcottHaims, sobre seu livro: “Como Ser um Adulto: Como se libertar da armadilha dos superpais e se preparar para o sucesso”. Algumas coisas me chamaram a atenção, mas dois pontos, creio eu, têm uma importância muito grande para nossa sociedade de hoje. Primeiro, ela identifica que, em nossos dias, os jovens apresentam um elevado grau de dependência de seus pais. Julie chega a comparar o cuidado que os pais têm com os filhos com o zelo que se dá a uma uma planta dentro de uma estufa. Consequência: estão se tornando pessoas incapazes de tomar decisões por si só. A autora garante que os seres humanos precisam de algum grau de dificuldade, a fim de sobreviver aos desafios da vida. Sem experimentar os pontos mais ásperos da vida, nossos filhos se tornam incapazes de prosperar no mundo real por conta própria. Resumo: para a nova sociedade, não basta destruir os valores absolutos, mas tornar nossos filhos incapazes de agir e viver. Um segundo ponto que me chamou a atenção foi o fato de os pais (americanos) estarem cada vez mais preocupados com o “sucesso” de seus filhos. Ou seja, os pais estão se sentindo responsáveis em conquistar o sucesso para a sua prole. Muitos não aceitam o fracasso do herdeiro. Na nova sociedade os jovens serão incapazes de agir e os pais, de educar corretamente. As expectativas para as famílias do futuro não são nada boas!!!

SÓ PODE SER IRONIA
Há um tempo, por mera curiosidade, adquiri o livro “Verdadeiramente Livres” (Ed. Fiel, Richard Bennett, 2004). A obra conta o testemunho de 10 ex-padres, de várias nacionalidades, que deixaram a Igreja Católica. Eu achei uma tremenda coincidência, pois no mesmo dia minha esposa recebeu um texto com o relato do ex-pastor Sidineh Woster Veiga, da Assembleia de Deus, que se converteu à Igreja Católica. Salve o Google!!! Vi que ali estava uma rara oportunidade de pesquisar os dois lados da mudança. Na maioria dos testemunhos dos ex-pastores, o que me chamou a atenção foi que a conversão se deu pelo fato de passarem a acreditar que Maria é a mãe de Deus. Já nos testemunhos dos ex-padres, alguns até com funções no Vaticano, TODOS, simplesmente TODOS, afirmam a mesma coisa: “Comecei a ler a Bíblia… e deixei a Igreja Católica”. Perceba a sutileza: os evangélicos se tornaram católicos porque não liam a Bíblia e acreditaram em Maria. Os católicos só se tornaram evangélicos porque leram a Bíblia. Isso é no mínimo irônico para a Igreja Evangélica, que no momento tem desprezado a Bíblia, trocando-a por orações poderosas, cultos modernos, shows da fé, vitória, bênçãos e milagres. Apesar de gostarmos de um culto alegre e bem variado, será que não está aqui o segredo de uma Igreja e de uma vida cristã verdadeira? Será que não é tempo de voltarmos para a Bíblia de forma séria, tipo, lê-la todos os dias, meditar nela, ter prazer de levá-la conosco a qualquer lugar? Abandonar nossa maior arma contra nossos inimigos é pura loucura ou ironia.