O sedutor eros

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Em 2013, eros uniu Bruna Olly e Patrick Garioli - Foto: Jean Garioli

Deus celebra a beleza do amor físico e a ardente atração erótica entre um homem e uma mulher

“Leve-me com você! Vamos depressa! Seja o meu rei e leve-me para o seu quarto. Eu me sinto feliz nos seus braços, e os seus carinhos são doces para mim. Ele me levou, e ali nos entregamos ao amor. Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”, diz ela. “Com um só olhar, meu amor, você me roubou o coração. Os seus seios são para mim cachos de uvas. A sua boca tem o perfume das maçãs, e os seus beijos são como vinho delicioso”, diz ele. As declarações apaixonadas dos noivos no Livro de Cantares de Salomão são consideradas, entre os antigos gregos, um poema lírico destinado ao canto, composto de estrofes de versos com medida igual, sempre de tom alegre e entusiástico.

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“Quem criou o desejo sexual foi Deus. Ele deu ao ser humano esse amor eros” – Ozias Ribeiro, pastor

Esses versos bíblicos abrigam a segunda face da palavra “amor”, apresentada por Comunhão na série “As Formas de Amar”, de quatro reportagens, iniciada em março. Na edição passada, conhecemos “o imensurável ágape”. Na língua grega, o segundo tipo de amor refere-se à sedução entre um homem e uma mulher, que se desejam ardentemente. Esta é a ideia do “eros” ou erótico: expressar o amor sexual, os sentimentos de excitação compartilhados entre pessoas fisicamente atraídas.

O pastor Gilson Bifano, diretor do Ministério Oikos, escritor e coach de relacionamento, destaca estar o amor presente no romantismo. Eros era considerado o “deus do amor” pelos gregos. Muitos mitólogos o colocam como sendo filho de Afrodite, embora existam outras teses para sua origem.
“Eros está ligado ao amor carnal, físico, associado ao amor sexual. Dessa palavra vêm as outras que conhecemos, como ‘erotismo’, ‘erótica’. Embora a palavra ‘eros’ não seja mencionada na Bíblia, sua ideia está presente, especialmente, no livro de Cantares, onde encontramos o amor entre um homem e uma mulher basicamente no relacionamento físico”, explica.

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Entretanto, as Escrituras não consideram o sexo por si só como um casamento; elas ensinam que, antes da relação sexual, é preciso haver um testemunho público do compromisso entre o homem e a mulher (Mt 1:18-19, 1Co 7:9, 1Co 7:36, Hb 13:4). O pastor Ozias Ribeiro, da Primeira Igreja Batista de Laranjeiras, na Serra, destaca que a Palavra exalta a vida sexual saudável e abençoada, desfrutada pelo casal no relacionamento matrimonial. “No Antigo Testamento, o livro de Cantares é uma ode a esse amor conjugal. No Novo Testamento, o autor de Hebreus afirma: ‘Digno de honra entre todos seja o matrimônio (do grego, ‘gamos’: casamento, núpcias), bem como o leito (do grego ‘coité’: relação sexual) sem mácula (Hb 13:4).”

Uma vez estabelecido esse compromisso, é a relação sexual que consolida o casamento diante de Deus (Gn 24:67). E a partir daí, os dois se tornam uma só carne para desfrutar do poder irresistível do eros. A Bíblia ensina que agora o corpo do homem pertence à sua esposa, e o corpo da esposa pertence ao homem. (1Co 7:4-5a).

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“Eros está ligado ao amor carnal, físico. Está associado ao amor sexual” – Gilson Bifano, pastor
O mais sujo e pecaminoso amor?

Existe uma gama de significados para descrever o “amor”. Na época do Novo Testamento, a palavra “eros” tinha se tornado tão aviltada pela cultura que não foi utilizada sequer uma única vez nas páginas da Nova Aliança. Sua ausência explícita no NT pode denegrir eros como pecaminoso ou impuro? O amor sexual tem algo de sujo ou mau?

Ozias Ribeiro conta que, graças a uma influência herdada principalmente por Agostinho, um dos principais teólogos católicos, o eros é visto apenas como desejo carnal e interpretado de forma pecaminosa. “Porém, quem criou o desejo sexual foi Deus. Ele deu ao ser humano esse amor, que deve ser desfrutado em sua plenitude para a satisfação humana e a glória do Senhor”, pontua.

Amor eros, cantares, desejo sexual, amor carnal, amor físicoO pastor pondera que o pecado desvirtuou o eros, transformando-o em lascívia, gerando fornicação, adultério e prostituição. “Esse conceito é tão forte que o eros não é citado uma única vez na Bíblia. Porém, ela exalta a vida sexual saudável e abençoada, desfrutada pelo casal.”

Gilson Biffano também defende se tratar um sentimento de fundo divino. “Eros é o amor, aprovado por Deus, para ser expresso entre um homem e uma mulher, no contexto do casamento, gerando unidade, intimidade, procriação de filhos e realização sexual”, finaliza.
É dom de Deus para que o marido e sua esposa possam expressar o seu afeto um pelo outro, garantindo a sobrevivência da raça humana.

O flerte de eros e ágape

Manter um relacionamento baseado, unicamente, nesse tipo de amor é fracasso garantido, pois a emoção do vínculo sexual pode desaparecer rapidamente. Para um amor bonito, romântico e sensual, eros deve unir-se com ágape, formando assim um amor de reciprocidade e desejo mútuo. Caso contrário, eros torna-se distorcido e pecaminoso, porque é o tipo de amor mais perigoso e, se não for vivido de forma equilibrada com o ágape, é capaz de trazer muita dor.

Embora não haja nada imoral com o amor erótico, é nessa esfera que a nossa natureza pecaminosa fica mais evidente, por centrar-se primeiramente em si. O apóstolo Paulo diz: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria” (Cl 3:5). A palavra grega para “imoralidade sexual” (“porneia”) abrange essencialmente a gama do pecado sexual (adultério, prostituição, homossexualidade, bestialidade, etc.)


As formas de amar

Eros foi a segunda forma de amar da série de quatro reportagens que Comunhão iniciou. Esse novo tema visa a esclarecer sobre a importância desse tipo de amor na relação conjugal estabelecida por Deus. Acompanhe nas próximas edições os amores philos e storgé.


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