Adoração: um estilo de vida

Afinal o que é adoração? Se para Deus ninguém além dEle próprio sustenta Seu ser, e Ele não precisa de nós, nem do restante da criação para nada, (Jo.5:26; At.17:28; Ap.4:11). Para que serve a adoração?

Porque que ela é tão importante para o nosso relacionamento com Deus? Adoração, embora muitos pensem que seja apenas um estilo musical, é a verdadeira essência da vida cristã. Trata-se de um estilo de vida que é fruto da intimidade que o homem desenvolve com Deus.

O tempo da adoração verdadeira já chegou! Assim descreve o Evangelho de João 4:23-24.
“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que Ele procura para Seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os Seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

Não existem fórmulas mirabolantes para se achegar a Deus. É preciso apenas estar em comunhão com o Pai, ter a vida regida sob a influência do Espírito Santo e se render todos os dias à vontade dEle. É preciso entender que Ele é o criador de todas as coisas e possui o controle sobre tudo. “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou”, Salmos 95:6.

Deus não precisa de adoradores. O ser humano que necessita de adorá-lO. Afinal a desobediência separou o homem de Deus. O pastor Moyses Lagassa Oliveira, da Igreja Batista Betel em Porto Canoa, Serra, destaca que “a queda do homem, ainda no Jardim do Éden, provocou um estado de rebelião contra Deus, contra o Seu propósito. Porém, quando o próprio Jesus veio ao mundo e o verbo se fez carne, Ele abriu o caminho para que pudéssemos entrar para ter comunhão. Para que através do seu sacrifício seja possível sair do estado de rebelião para o de adoração, para o estado que nascemos para estar”.

De acordo com o pastor Moyses a adoração deve se um estilo de vida. “Significa que vou adorar todos os dias, de segunda a segunda, de dia ou de noite, sempre. É amar a Deus incondicionalmente”, declarou. Moyses aponta que há confusão sobre o que é adoração no que diz respeito à música. “Hoje a música ocupa um papel importante nas igrejas. A metade do culto é louvor e outra é a ministração da Palavra. Por meio da música podemos passar
valores importantes para a vida cristã, pois a música quebra barreiras e leva o público à reflexão. Por meio da Palavra levamos o Evangelho da boa nova e da Salvação. As duas coisas se completam, e são ferramentas de adoração. Afinal adoramos porque queremos nos achegar a Deus”, disse.

Adorador manifesta amor integral Há múltiplas formas de cultuar e adorar a Deus, porém o ingrediente imprescindível é o amor sem limites (Dt 6:4-5 e Mt 22:36-37). Sem esse item, o culto se abstém de valor e deixa de se caracterizar como um culto a Deus. O pastor Russel Shedd, no livro “Adoração Bíblica”, relata que o amor deve ser a base tudo. “Se alguém me ama, guardará a minha Palavra, e meu Pai o amará, e viremos para Ele, e faremos NEle morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou” (João 14:23-24). Um verdadeiro adorador manifesta um amor integral e esse amor envolve desde sentimentos mais íntimos até pensamentos, atitudes e atividades cotidianas – inclusive, musicais.

No livro, Shedd explica que Deus se preocupa mais com o coração do que com a forma, ainda que as Escrituras não admitam uma dicotomia entre corpo e espírito. “É o próprio Deus quem toma a iniciativa na busca de verdadeiros adoradores.

Ele deu Seu Filho para revelá-lO (Jo 1.18), para sacrificar-se em oferta expiatória, assim rasgando o véu que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos (Mt 27.51; Mc 15.38 e Lc 23.45). Jesus deixou o caminho livre para os pecadores se aproximarem do Pai santíssimo (Jo 14.6)”, cita o livro. O pastor Atilano Muradas, um dos mais conhecidos palestrantes sobre a área de louvor congregacional no cenário da música cristã brasileira, autor do livro “Decolando nas Asas do Louvor”, esclarece que a adoração é algo livre. “É a expressão do homem para Deus. Pode ser com danças, palmas, brados de alegria, etc, e também com músicas. Com o trabalho com as artes com o dia a dia. A adoração não tem estilo. A música, sim, tem estilo. Ela pode ser de ensino, de testemunho, e até mesmo de adoração”, relatou.

Honrar com a vida

O ministro de louvor do grupo Trazendo a Arca, Luiz Carlos da Silva, lamenta que nas igrejas, quando se fala em adoração, a primeira coisa que vem à cabeça é a música. “Adorar é honrar a Deus com sua vida. É fazer tudo para a glória dEle: ‘Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus’ (1 Coríntios 10:31).

A música é só mais uma das ferramentas com as quais se pode adorar a Deus”, ressaltou.
O ministro de música da Igreja Evangélica Batista e líder do Ministério Cristo em Mim, Daniel Lucas Menezes de Almeida, diz que a adoração vai além de tudo, é um estilo de vida que agrada a Deus e que serve ao Seu propósito. “Podemos e devemos adorar através da música, que por sinal é uma belíssima expressão de adoração, mas não podemos confundir achando que adoração é apenas música. Cada igreja é livre para seguir um estilo de louvor para levar a igreja à adoração.

Toda essa diversidade de estilos revela a grandeza e a criatividade de nosso Deus em toda Sua criação”. Daniel enfatiza que a adoração precisa ser igual em toda a igreja do mundo e a essência deve ser Jesus. “Em tudo devemos glorificar e exaltar ao nosso Deus. Amamos o Corpo de Cristo e servirmos Ele nesta geração”.

A verdadeira adoração vem do interior Portanto faça música, arte, trabalho ou qualquer coisa, que tudo seja para a adoração a Deus. É isso que Deus espera de nós. “Circundai o vosso coração” (Dt 10:16). E quem ama é capaz de adorar com liberdade, de ter graça para saber que não é melhor do que ninguém e que está desenvolvendo o seu melhor para Deus. É saber ser servo e praticar a mordomia.

Quer ser um adorador? Comece hoje mesmo, exercitando o amor a Deus integralmente. Não com partes específicas do seu corpo (voz e mãos) ou de suas atividades (trabalho e artes), mas sim com todo o ser, pois na Casa de Deus há liberdade. Tudo na vida deve entrar no Santo dos Santos. Toda a atitude, todas as escolhas, precisam ser vistas como ato de adoração. Não existe mais separação entre Deus e o homem.

Tudo o que fazemos tem de refletir aquilo que nós cremos. Por isso adoração vai além de canções bem ensaiadas; poemas, ou outro tipo de manifestação. A adoração verdadeira flui de adoradores autênticos, cuja vida e testemunho significam mais do que suas palavras. Uma vocação.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.