Aceito porque fui aceito, porque fui aceito me aceito

“Aquele que, antes, nos perseguia, agora, prega a fé que, outrora, procurava destruir” (Gálatas 1. 18 a 24).

Assim as igrejas da Judeia ouviram sobre Paulo. Seria humano esperar uma reação negativa, um olhar diferente, julgamentos continuados e, em alguns casos, desprezo.

Imagine que se eu dissesse: “Irmãos, está conosco um homem que tem por hábito e missão a perseguição, tortura e destruição de presbiterianos”. Mesmo se eu afirmasse que ele mudou, poderíamos ter dificuldade de encontrar uma família para acolhê-lo. Para muitos, o ponto seria: e se ele tiver uma recaída? A pergunta é natural, mas não dá uma única chance ao poder transformador de Jesus Cristo.

É como se nem mesmo esse poder tenha me alcançado anteriormente. O passado de alguém, em especial um complicado, não é mais importante do que as transformações sofridas no presente e as que me transformarão no futuro.

Jesus aceitou Paulo como ele estava. “E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (Atos 9:5).
Paulo não era ex-perseguidor quando foi achado por Jesus.  Ele estava “respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor…”. E no auge de sua perseguição aos cristãos, ele foi aceito pelo Senhor. Paulo não fez nada para ser aceito por Jesus, até porque nada que ele fizesse daria a ele a oportunidade de ser aceito. Não somos aceitos por Jesus pelo que fazemos, mas porque Ele já fez. O centro da aceitabilidade não é o ser humano, não são as nossas obras, não é o que eu faço ou deixo de fazer, se não seria meritório. O problema de ser meritório é que se nós recebêssemos o que merecemos certamente não seria nada agradável. A aceitabilidade está centrada em Jesus. Ele nos acolhe, nos recebe, nos aceita como somos.

Como sentir-se aceito por Jesus? Algumas pessoas revelam dificuldades de se sentirem aceitas por Jesus. Há uma cobrança e acusação que pesa sobremaneira a pessoa a ponto de levar a um afastamento da comunidade cristã por não se sentir “bom o suficiente” para ser parte dela. Uma observação importante: ninguém é “bom o suficiente” – essa ideia de bondade humana é construída de forma equivocada, porque privilegia o julgamento e a acepção. O princípio da igualdade e imperfeição pode nos ajudar a perceber outro ponto de vista: somos todos iguais e somos todos imperfeitos. Ninguém é melhor do que ninguém.

Um problema dos mais sérios neste processo é a dupla resistência: dos outros e do próprio indivíduo. Frases importantes: “Não me sinto digno”, “Não sou merecedor”, “Sinto vergonha do que fiz”. Uma das formas que Jesus usou para permitir que os alcançados pelo Evangelho pudessem se sentir aceitos foi a maneira como a comunidade cristã aceitava os novos cristãos. Leia Atos 9.10 a 19 e conheça o modelo de Ananias. Esse modelo atinge duas questões valiosas: é uma das formas de Jesus mostrar que Ele aceitou a pessoa e que a comunidade deve aceitá-la da mesma forma. E assim como estou sendo aceito pela comunidade, posso também me sentir aceito por Jesus. Aceito porque fui aceito. Porque fui aceito me aceito.

Veja a beleza do cristianismo. Não mudo para ser aceito por Jesus. Também não permaneço como estou. As transformações pelas quais preciso passar decorrem de ter sido aceito. O amor de Jesus nos constrange e nos leva a experimentar as reais mudanças, sempre de dentro para fora. Algumas delas acontecem com grande simplicidade.

Deixo de fazer – não pode ser obrigado a deixar, mas deixo de querer fazer. Alguns que não gostavam de estar na igreja, por exemplo, passam a querer. Antes nem gostavam de falar sobre isso – depois passam a querer estar e até convidam outros. A beleza do cristianismo está no processo natural de transformação que tem como base central o fato de ser sido aceito por Jesus.

Rev. Jr. Vargas

 

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.