A igreja e o homoafetivo. Como Jesus trataria?

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Entender e tratar o homoafetivo é hoje um dos maiores desafios da Igreja, bem como da família.

Ao mesmo tempo que a mídia procura tratar do tema como se fosse algo normal e tenta ser impositiva para que a sociedade siga este caminho, o fato é que nem para o homoafetivo nem para as famílias muito menos para a igreja o tema é fácil de lidar.

Apesar do desconforto, precisamos pensar como o Senhor Jesus trataria aquele que se define como homossexual ou homoafetivo. Nosso espaço aqui não é discutir as causas da homoafetividade, mas desafiar cada um encontrar o caminho para refletir Jesus para aqueles que lutam com os sentimentos ou práticas homoafetivas.

Como olhar para o homossexual?

A prática da homossexualidade é condenada por Deus quando proíbe que um homem se relacione com outro homem como se este fosse uma mulher (Levíticos 18.22). Mas, Deus condena não somente a prática homossexual, como condena o adultério, a fofoca, a preguiça, o orgulho, etc. Assim, a primeira atitude que a igreja precisa ter em mente é não rotular a prática da homossexualidade como o pior dos pecados.

Em segundo lugar, precisamos olhar para Jesus como nosso modelo de acolhimento. Jesus foi criticado severamente pelos religiosos da sua época porque nosso Salvador comia com publicanos e pecadores.  Jesus, também, ultrapassou as barreiras sociais e religiosas da sua época por tocar num leproso, que talvez fosse a pessoa mais rejeitada daqueles dias. Por que Jesus fez isto? Seja quem for, sem importar o estado em que esteja, é alvo mostrar a graça transformadora de Deus. Assim devia ser o pensamento da igreja, refletir a graça de Deus, inclusive para o homossexual. Ao acolher os chamados pecadores de seus dias, Jesus não estava dizendo ou aprovando a conduta deles e não passou a praticar o mesmo comportamento deles. Mas, estava simplesmente dizendo, “se vocês querem eu posso transformar suas vidas”. Assim, ele acolheu os leprosos, a mulher adúltera, a mulher samaritana, Nicodemos, Zaqueu, etc. Com estas pessoas, Jesus primeiro acolheu-as, sem julgá-las, para depois dar para elas uma nova vida. Isto nos leva para a terceira atitude que a igreja precisa ter.

Em terceiro lugar, como igreja, precisamos aceitar ou acolher quem quer que seja, inclusive o homoafetivo, como eles são. Acolher não é concordar. Como igreja precisamos acolher adúlteros, sem comunicar ou concordar com o comportamento deles. Nosso chamado como igreja não é transformar o adultero em uma pessoa que não adultera mais. Isto um programa comportamental pode fazer. Nosso alvo como igreja é acolher o pecador e leva-lo a ter uma experiência pessoal com Jesus e por causa disto sua vida ser transformada. Assim, como igreja, nosso alvo não é transformar o homossexual em heterossexual, mas levar o homoafetivo a conhecer Jesus e deixar que o próprio homoafetivo tenha sua vida transformada e tornar-se um verdadeiro seguidor de Jesus. Isto acontecendo, aquele comportamento pecaminoso será transformado em uma marca da graça.

Como a igreja acolhe o homossexual?

 Como dissemos acima, procurando imitar Jesus. É através de relacionamentos acolhedores, sem julgamentos e amorosos que o homoafetivo entenderá o toque amoroso de Jesus. Não existe uma receita para o tema, mas um simples principio. Somente quando seus membros olharem para o homoafetivo com o olhar de Jesus é que a igreja olhará para o homossexual com o mesmo olhar de Jesus. Esta é uma tremenda mudança interior. Mas, com o reconhecimento do nosso preconceito e a busca em Deus para amar o diferente de nós mesmos, seremos usados por Deus para tocar aqueles que muitas vezes se sente intocável e por isso estão gritando nas ruas, “amem-me, apesar do que eu sou”- Podemos discordar e não devemos aprovar o comportamento homoafetivo, como Jesus com certeza não aprovaria, mas nem por isso podemos deixar de amá-los, acolhe-los e vivenciar perante eles uma vida que reflete Jesus. Se não agirmos assim, estaremos sendo meros religiosos e não discípulos de Jesus”.


Lisanias Moura é pastor sênior da Igreja Batista do Morumbi, São Paulo.

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