A esperança na dor: “Estamos prontos para ajudar”

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Voluntários da Igreja da Família, de Belo Horizonte (MG) levaram alegria para população de Brumadinho: “O maior beneficiado por esse trabalho é a gente mesmo, pois percebemos a importância de estarmos juntos prestando o amor de Deus”, disse pastor Paulo Júnior. 

No meio de tanta tristeza e de comoção que tomou conta do pequeno vilarejo Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) foi possível levar esperança. O amor prevaleceu nos pequenos detalhes, através de ações lúdicas, brincadeiras aliadas às orações e ministrações. Todas voltadas para a ação social e evangelismo.

Paralelo às equipes de bombeiros que trabalham na região para encontrar vítimas soterradas pela lama e de missionários que realizam capelania pastoral, uma equipe com 105 pessoas voluntárias da Igreja da Família – Batista em Aarão Reis, também de Belo Horizonte (MG) realizou o projeto do Ministério infantil “Brincarão”.

Foram atividades voltadas exclusivamente para as crianças, mas os adultos também foram contemplados. “Nós oferecemos um serviço de estética e beleza, corte de cabelo e até mesmo atendimento de saúde para os adultos. E as crianças participaram várias brincadeiras com a rua de lazer e ainda distribuímos guloseimas e presentes”, contou o pastor Paulo Gonçalves de Oliveira Júnior, um dos coordenadores da ação.

Esta não foi a primeira vez que o grupo realizou a ação na comunidade. A primeira foi no início do ano passado. Mas desta vez, além do objetivo de consolar as famílias das vítimas enlutadas, o desafio foi levar a mensagem da cruz, de uma forma mais alegre, com uma dose de esperança.

“Entendemos que a igreja precisa promover atos de justiça que vão além de fazer a boa obra, mas que tenha alcance espiritual. Como servos, temos a responsabilidade de sermos a ação do corpo de Cristo na comunidade que está sofrendo. Por isso que nós nos disponibilizamos em qualquer área para oferecer nossa ajuda. Estamos prontos para agir e ajudar”, esclareceu o pastor.

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Tragédia e comoção

O dia 25 de janeiro ficou registrado na memória da população de Brumadinho com o rompimento da barragem da Vale, que vitimou 321 pessoas. Pelo menos 131 continuam desparecidas. Desde então a comunidade e familiares das vítimas vem recebendo apoio pastoral de igrejas de todo o Brasil.

“Eu vi destruição, caos, silêncio e tristeza. Foi uma cena dolorosa! Um amontoado de minério que destruiu tudo. Uma imagem de morte”, contou.

“Resolvemos agir como cristãos e levar apoio espiritual”, disse Rodrigo Araújo, um dos voluntários da Mocidade Para Cristo (MPC) que esteve no local com um grupo de jovens para levar conforto às famílias. No local da tragédia, Rodrigo conversou com moradores da região e se comoveu com o quadro desolador.

Os voluntários da Igreja da Família visitaram todas as casas do vilarejo. Ao todo foram 104 residências. E realizaram um culto especial, na qual 18 pessoas foram alcançados pela graça de Cristo. Uma equipe também realizou uma jornada de oração em volta da comunidade com o objetivo de clamar pelos profissionais envolvidos no resgate às vítimas e as famílias que perderam seus entes queridos.

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Pastor Paulo conta que a experiência do grupo na realização do projeto em Brumadinho foi impactante. Segundo ele, o que se viu foi um cenário de destruição e uma população fragilizada, que se cala diante da impotência e de um futuro incerto. Mas ao mesmo tempo, na esperança de ainda encontrar alguém que se foi.

”Você chega na beira da lama e não tem palavras. É um silêncio chocante, inexplicável! Um espírito de morte pairando sobre a vida das pessoas. Uma espécie de depressão coletiva. É como se estivesse uma nuvem de tristeza sobre a comunidade. A escola tem 30 órfãos que perderam seus pais na tragédia. São crianças que sofrem e ficaram traumatizadas. As famílias olham para a lama na esperança de encontrar alguém que está desaparecido. É muita tristeza! Com todo respeito ao luto fomos levar alegria para o lugar. Brincamos, dançamos e cantamos com as crianças. Na verdade, o maior beneficiado por esse trabalho é a gente mesmo, pois percebemos a importância de estarmos juntos com a comunidade prestando o amor de Deus”, concluiu.

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